Anencefalia

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A descoberta da gravidez, muitas vezes, é um momento feliz: muitos casais, ao se juntarem, planejam e sonham com um bebê para alegrar-lhes e completar-lhes a vida; outros, mesmo sem planejar esse momento, não deixam de se sentir feliz ao descobrir que uma criança, filha deles, está prestes a vir ao mundo.

E a descoberta da gravidez dá início a um intenso trabalho de acompanhamento da gestação, em que se fazem exames para certificar que a vida e a saúde tanto da mãe quanto do bebê estão bem.

Se os resultados do pré-natal são bons, a gravidez segue a contento e termina bem.

O problema é que, muitas vezes, uma notícia ruim pode atrapalhar esse momento feliz, como a descoberta de uma anomalia na criança, como a anencefalia.

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O Que é a Anencefalia

A anencefalia é uma má formação do sistema nervoso central. O sistema nervoso central é o centro de comando do corpo, e é responsável pela geração dos diferentes comportamentos que fazem com que sobrevivamos.

É por meio dele que nosso coração recebe ordem para bater ou uma glândula recebe ordem para liberar um hormônio, por exemplo.

Quando uma criança tem tal anomalia, dois dos principais órgãos desse sistema, o cérebro e cerebelo, não se desenvolvem, e as funções neurológicas do bebê ficam prejudicadas.

Ela também nascerá sem couro cabeludo, calota craniana e meninges. O resto de seu corpo, porém, é normal.

Quando uma criança tem tal anomalia, dois dos principais órgãos desse sistema, o cérebro e cerebelo, não se desenvolvem, e as funções neurológicas do bebê ficam prejudicadas (Autor: Imagem em domínio público)

Quando uma criança tem tal anomalia, dois dos principais órgãos desse sistema, o cérebro e cerebelo, não se desenvolvem, e as funções neurológicas do bebê ficam prejudicadas (Autor: Imagem em domínio público)

Trata-se de uma doença congênita, ou seja, com a qual o bebê nasce, e suas causas não conhecidas, embora se desconfie que existam causas genéticas e ambientais que influenciem seu aparecimento. Nesse sentido, pesquisas indicam que dietas ricas em ácido fólico (ou vitamina B9) antes da concepção ajudam a diminuir em 50% as chances de o bebê nascer com esse problema.

Entre os alimentos recomendados, estão shimeji, shitake, brócolis, tomate, espinafre, rúcula, couve, pitanga, acelga, almeirão e caju.

A anencefalia é considerada uma doença rara: atinge 1 em cada 1000 bebês, sendo que mais meninas do que meninos nascem com tal deficiência. Mães que já tenham tido um bebê com tal problema terá 4% de chance de ter outro – o que é considerada uma chance baixa.

Diagnóstico da Anencefalia

A doença começa a se manifestar quando o sistema nervoso central passa a se desenvolver, a partir do 20º dia após a concepção e é facilmente detectada a partir da 16ª semana de gestação do bebê por meio de exames de ultra-sonografia, embora o diagnóstico possa ser feito a partir da 10ª semana. Exames de sangue e do líquido amniótico também podem auxiliar no diagnóstico da doença, mas seus resultados são menos precisos.

O prognóstico das crianças que apresentam esse tipo de deformação não é dos melhores: cerca de 40% delas morre durante a gestação e 25% durante o parto. As que sobrevivem ao parto não viverão mais do que algumas horas ou dias.

Poucas sobreviverão muito mais tempo que isso, sendo um dos casos mais marcantes o da brasileira Marcela, que chegou a viver pouco mais que ano e oito meses. Mesmo assim, a vida dessas crianças dependerá de aparelhos para continuar, já que nascem com pouquíssimos reflexos, sem visão e audição.

Médicos dizem que essas crianças não sentem absolutamente nada, mas a experiência de pessoas que tiveram filhos com esse problema aponta que há, sim, algum tipo de sensação que ela é capaz de perceber.

Tratamento da Anencefalia

Infelizmente não há tratamento para a anencefalia.

Quando diagnosticada, muitas mães são aconselhadas a interromper a gestação, uma vez que seria um sofrimento enorme para ela levar a termo a gravidez de uma criança cujo período de sobrevivência será curto.

Esse é, porém, um aspecto muito discutido, particularmente por grupos religiosos e ativistas que consideram errado matar uma criança antes de seu nascimento e levando-se em consideração que ela poderá, sim, ter uma sobrevida maior, como foi o caso da garotinha brasileira.

Riscos da Gravidez

Vale lembrar que a gestação de uma criança com esse tipo de problema representa tantos riscos para a mãe quanto uma gestação de uma criança normal, embora em um quarto dos casos a gestante tenha excesso de líquido amniótico em seu corpo, já que a criança, por conta de sua doença, não engole o líquido produzido, como ocorreria normalmente.

Esse excesso poderá trazer desconforto para a gestante e o risco de um parto prematuro.

Se a gravidez for acompanhada por um médico, porém, esses problemas poderão ser contornados, e a saúde da mulher não será afetada.

O maior problema, porém, está relacionado ao lado emocional da mulher que gera essa criança e de sua família, que sabem que possivelmente seu filho não sobreviverá mais do que algumas horas.

Para minimizar esse sofrimento, é preciso procurar profissionais habilitados, como psicólogos ou psiquiatras, e grupos de apoio que dêem suporte para todos: mãe e família. Afinal, se a notícia de um bebê doente é ruim, tentar superar esse sofrimento sem ajuda é muito pior.

Etiquetas: coração, diagnóstico da anencefalia, dieta, doenças genéticas, o que é a anencefalia, riscos da gravidez, rúcula, tomate, tratamento da anencefalia

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