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Leite: Benéfico ou Prejudicial?

É do senso comum que um dos mais generosos alimentos para o ser humano é o leite.

É necessário para o crescimento, fortalece os ossos e fornece uma preciosa ajuda ao organismo, preenchendo a ausência de cálcio.

Além disso, é dos alimentos mais destacados na roda dos alimentos, da mesma forma que os seus derivados.

Não obstante, constam ainda da lista de “o que se deve comer” dos programas nutricionais e dietéticos.

E isso porquê? Porque são dos mais completos alimentos produzidos pelos seres vivos… ou talvez não seja bem assim.

Para obter algumas respostas quanto às vantagens e desvantagens do leite, há que procurar entender alguns “fenómenos” que se geraram em torno deste produto, desde o início da massificação do seu consumo.

Naturalmente que não se poderá analisar profundamente cada detalhe, mas o principal intuito do presente artigo é precisamente alertar para alguns pontos fundamentais que a maioria das pessoas não sabe. No fundo, o que se pretende é colocar em “pé de igualdade” o que se conhece acerca do leite em dois âmbitos opostos: faz bem (o que já todos sabem) e faz mal (o que a maioria desconhece).

Desta forma, não serão dadas respostas a questões algumas, mas levantadas algumas perguntas sobre determinados factos de que, sublinhe-se, poucos estão cientes.

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Ascensão do Leite Como Alimento

Recuando na História da Humanidade até ao ponto em que o leite passou a ser alimento pós-maternidade, poder-se-á ficar a perceber melhor os possível prós e contras do consumo desta substância láctea. Todas as propriedades benéficas atribuídas empiricamente ao leite remontam aproximadamente a oito mil anos antes de Cristo.

Nesta época, verificava-se o crescimento da agricultura como actividade predominante e desenvolviam-se as primeiras técnicas de cultivo, baseadas essencialmente numa forma de subsistência, onde tudo era aproveitado, nada merecia ser desperdiçado.

Por essa razão, as populações procuravam dar utilização a tudo aquilo que a terra tinha para oferecer, fosse natural ou animal.

Posteriormente à sua incorporação na alimentação regular da Humanidade, este lacticínio passou a integrar a roda dos alimentos, uma espécie de menu saudável que aconselha o que comer, em que horas do dia, e em que quantidades (Autor: Stefan Kühn)

Posteriormente à sua incorporação na alimentação regular da Humanidade, este lacticínio passou a integrar a roda dos alimentos, uma espécie de menu saudável que aconselha o que comer, em que horas do dia, e em que quantidades (Autor: Stefan Kühn)

Não é, por isso, de estranhar, que se usufruísse dos animais, tirando partido daquilo que poderiam fazer ou produzir. E, para além da força motriz para o cultivo dos campos e de servirem como transporte para os humanos e as suas cargas, em que mais podiam alguns animais (leia-se, mamíferos) ser úteis?

Pois bem, a resposta é: na produção de leite. Se as suas crias os bebiam, e tinham um crescimento mais exponencial que as crianças, porque não poderiam os seres humanos consumi-lo e aproveitar a riqueza nutricional do leite desses animais?

Foi precisamente pela anterior ordem de ideias que se introduziu o leite de cabra e vaca na alimentação comum, expandido a toda a fase adulta, um alimento que até aqui apenas era consumido nos primeiros anos de vida.

É assim que o leite começa a ser introduzido na alimentação, primeiro das crianças padeciam anteriormente, porque as progenitoras não as podiam amamentar, e mais tarde a todas as pessoas que dele (leite) gostassem.

Depois deste início, não foram necessários muitos anos para que o leite passasse de mero alimento dos mais pequenos, a produto de eleição de muitos adultos.

Propriedades do Leite Dividem Cientistas

Posteriormente à sua incorporação na alimentação regular da Humanidade, este lacticínio passou a integrar a roda dos alimentos, uma espécie de menu saudável que aconselha o que comer, em que horas do dia, e em que quantidades.

Nesta sugestão altamente recomendada de ementa, é proposto o consumo de duas a três porções de leite e derivados. Entenda-se, não é somente sugerido a recém-nascidos e crianças, mas igualmente a qualquer adulto.

Grande parte do leite que bebemos é de vaca, mais concretamente cerca de 80 por cento. E não é por mero acaso, pois o leite que este animal produz contém cerca de 1200 miligramas de cálcio, quatro vezes superior à quantidade existente no leite materno, que ronda os 300 miligramas.

No entanto, estudos conduzidos por alguns dos maiores especialistas das melhores universidades do mundo, entre as quais, a Universidade de Harvard, a mais conceituada e reconhecida de todas, revelam que embora o leite de vaca seja substancialmente mais rico em cálcio do que o leite materno, possui também elevados níveis de fósforo, que interferem na absorção do cálcio.

Além disso, o leite de vaca corre a risco de ser infetado por bactérias fecais que se acumulam nos órgãos mamários do animal, sendo posteriormente transmitidos, através do leite, aos seres humanos.

Está cada vez mais interiorizada a ideia que se deve comer de tudo, sem exagerar em nada. Tudo deve ser consumido, de forma moderada, nas qualidades certas e, de preferência, nos momentos certos.

Também aqui o leite não será exceção, sendo aconselhada e não impingida a sua ingestão. A confirmação disso provém de mais de uma dezena de estudos, mas especialmente da investigação de Robert Cohen, veiculada em 2006, numa das mais credíveis publicações de saúde do mundo, o norte-americano Journal of Dairy Science.

De acordo com aquele especialista, o leite, consumido em excesso, desencadeia as doenças que a sua ingestão adequada evita, como a osteoporose, certos tipos de cancro, doenças coronárias, problemas sanguíneos, infecções gastrointestinais ou problemas respiratórios.

Se, por um lado, há efeitos benéficos no leite, que também poderá ter consequências nefastas, por outro, a exploração industrial deste alimento acarreta outros pontos prejudiciais.

A exemplo, recorde-se o célebre caso da multinacional de biotecnologia agrícola norte-americana Monsanto. A empresa utilizava uma hormona de crescimento geneticamente alterada (Posilac ou rBGH) para aumentar a produção de leite das vacas.

A substância, cuja utilização está terminantemente interdita na Europa, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, causava uma reacção que provocava a formação de pus nas tetas das vacas, que consequentemente era transmitido para o leite.

A substância potenciava de forma exponencial o cancro da mama, cólon e da próstata. A sua utilização foi ininterrupta durante 15 anos. Recentemente, já depois de um documentário da cadeia televisiva, que analisava o “método rBGH” da Monsanto, a empresa anunciou que deixaria de recorrer ao Posilac.

E Você, Bebe Leite Todos os Dias?

A rotina de consumir leite na idade adulta, não uma prática corrente generalizada, ao contrário do que a maioria das pessoas possa pensar.

Na verdade, este hábito, que provém da ideia de que beber leite suprime a necessidade que as crianças têm de ingerir alimentos com cálcio para fortalecer as reservas de ferro, não é seguido a nível global.

Na América do Sul, África e Ásia, é mesmo desaconselhada a introdução de leite na alimentação dos adultos.

Nos últimos 10/15 anos, tem-se assistido a intensivas investigações dedicadas ao estudo das propriedades do leite, que tiveram início com a estranheza provocada pela intolerância que cerca de 40 por cento da população mundial apresenta à lactose.

Desta percentagem, a totalidade tem incomplacência total ao leite, sendo que mais de 15 por cento é capaz de consumir derivados do leite, porque estes apresentam baixos níveis de lactose, que é convertida em glucose ou galactose durante o processo de transformação.

A explicação desta intolerância está relacionada com a perda da capacidade do intestino delgado humano realizar correctamente tratamento da lactose, algo que acontece entre o primeiro e o quarto anos de vida. Na maioria das pessoas, essa capacidade desenvolve-se, prolongando esta faculdade, mas ainda assim, isso não acontece em quase metade da população mundial.

Os possíveis benefícios do leite são colocados lado-lado com as últimas descobertas sobre os seus possíveis malefícios, nomeadamente no que concerne ao leite de vaca. Porém, não existem provas concludentes que possam corroborar, quer o hipotético facto de que o leite faz bem, quer o também ele hipotético facto de que o leite faz mal.

Há diversas investigações que exploram os múltiplos prós e contras deste liquido alimentício introduzido na cadeia alimentar oito mil anos antes do nascimento de Cristo. Tanto no lado positivo como no negativo, há certezas apontadas que os suportam, mas o consenso ainda parece estar longe de ser alcançado. Ao que tudo indica, o caminho a percorrer para alcançar essa meta terá ainda uns bons quilómetros para serem calcorreados. E você, bebe leite todos os dias?

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Etiquetas: absorção do cálcio, alimentação, bactérias fecais, benefícios do leite, biotecnologia, cadeia alimentar, cálcio, cancro da mama, cancro da próstata, cancro do cólon, derivados do leite, galactose, glucose, hormona de crescimento, hormona de crescimento geneticamente alterada, intestino delgado humano, lacticínio, lactose, leite, leite de cabra, leite de vaca, leite faz bem, leite faz mal, leite materno, malefícios do leite, níveis de fósforo, níveis de lactose, organismo, órgãos mamários, posilac, propriedades do leite, rbgh, reservas de ferro, riqueza nutricional, substância láctea, vaca
2 comentários sobre “Leite: Benéfico ou Prejudicial?
  1. karen disse:

    eu acho que devia melhorar na profundidade da pesquisa e os métodos das desvantagens

  2. Ivan Emerick disse:

    Qual a quantidade de Potássio no Leite?

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