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Distúrbios Alimentares

Entende-se por distúrbios alimentares uma alteração significativa no comportamento alimentar da pessoa, isto é, na sua relação com a comida, com a alimentação, podendo levar à obesidade ou à caquexia (emagrecimento excessivo que enfraquece as funções vitais do organismo).

A anorexia nervosa caracteriza-se pela recusa constante da pessoa em comer. Atinge maioritariamente pessoas do sexo feminino (Autor: Habacuc @ Flickr)

A anorexia nervosa caracteriza-se pela recusa constante da pessoa em comer. Atinge maioritariamente pessoas do sexo feminino (Autor: Habacuc @ Flickr)

Os distúrbios alimentares continuam a ter os seus mistérios para os investigadores.

Sabe-se que alguma química do cérebro (factores biológicos) se encontra alterada nessas pessoas com distúrbios alimentares, mas factores psicológicos, socioculturais e familiares têm um papel relevante também.

Estes distúrbios alimentares atingem 1% da população feminina mundial – ainda que afectem cada vez mais homens também – e sem acompanhamento médico podem mesmo levar à morte.

Os distúrbios alimentares mais comuns são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o comer compulsivo. Os sintomas diferem, mas todos têm como denominador comum a preocupação excessiva com a imagem corporal e com dietas.

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Anorexia

A anorexia nervosa caracteriza-se pela recusa constante da pessoa em comer. Atinge maioritariamente pessoas do sexo feminino e em idade adolescente, altura da vida em que o corpo começa a mudar, a ganhar formas e a aumentar de volume.

Transtornadas perante mudanças físicas que não conseguem controlar, as jovens tentam, através da reduzida ingestão calórica, recuperar algum desse controlo, na esperança de restringir as curvas e se manterem esbeltas como as imagens que vêem na TV, nas revistas, na Internet e nos cartazes de rua.

Apesar de muitas vezes já se encontrarem abaixo do IMC (índice de massa corporal) normal, as pessoas anoréticas continuam a ver-se gordas e a achar que precisam de perder peso.

Quando não detectada a tempo, a anorexia pode levar a um forte desgaste emocional, debilitar seriamente o organismo, provocar fraqueza extrema, acabar com a fertilidade (nas mulheres, devido à perda de menstruação) e provocar arritmias cardíacas.

Bulimia

Uma pessoa bulímica tem episódios de ingestão compulsiva de alimentos (chamada “binge eating”), seguidos de tentativa de purga (expulsão ou eliminação desses alimentos, melhor dizendo das calorias ingeridas).

A purga passa normalmente por estar um longo período sem comer após o episódio de ingestão compulsiva, ou então pela prática excessiva de exercício físico, pela toma de diuréticos ou laxantes, ou ainda pela indução do vómito pouco tempo após o episódio de ingestão compulsiva.

Ao contrário da anorexia, onde a magreza evidente pode levar a suspeitar da doença, o diagnóstico da bulimia pode levar mais tempo.

Os sintomas da bulimia incluem: momentos de tristeza profunda; falta de menstruação; ir à casa de banho passado pouco tempo depois de comer para ir vomitar; hábito de comer em segredo ou comer normalmente ao pé de pessoas e continuar depois, já em privado, a ingestão compulsiva; interesse desproporcional em conversas e leituras sobre alimentação e calorias; prática excessiva de exercício físico; trazer consigo diuréticos e laxantes para tomar após os episódios de ingestão compulsiva; possível abuso de bebidas alcoólicas e drogas, ainda que leves.

Nos casos mais graves, um bulímico pode chegar a ter cinco ou seis episódios de ingestão compulsiva e purga num só dia.

O prolongamento da bulimia pode levar às mesmas consequências da anorexia.

Para além disso, a constante indução de vómitos provoca inchaço e dores na garganta, calosidades nos dedos que são introduzidos na garganta para induzir o vómito e alteração do maxilar inferior, tornando-o protuberante, puxado para a frente.

Comer Compulsivo

O comer compulsivo é parecido com a bulimia no sentido em que implica momentos de ingestão compulsiva de alimentos.

Contudo, a pessoa neste distúrbio não recorre à purga para eliminar a comida do organismo. Vai comendo sem controlo até se sentir “empanturrada”.

Os comedores compulsivos ficam com grande sentimento de culpa após a ingestão excessiva, ficam profundamente tristes e tendem a isolar-se.

São normalmente pessoas com excesso de peso ou já na obesidade, com dificuldade em emagrecer e falta de auto-disciplina para seguir uma alimentação equilibrada.

Tratamentos Para os Distúrbios Alimentares

Ainda que os tratamentos destes três distúrbios alimentares tenham as suas especificidades, todos precisam de uma abordagem interdisciplinar para serem bem sucedidos: uma equipa de profissionais que inclua pelo menos um psiquiatra ou outro terapeuta que possa fazer psicoterapia para trabalhar na alteração do comportamento alimentar, e um nutricionista que ajude na reeducação alimentar e na relação que a pessoa tem com a comida, desde uma simples ida ao supermercado para compor a despensa com alimentos saudáveis, ao aceitar fazer refeições na presença de outras pessoas e conseguir fazer desse um momento agradável e descontraído.

A família e os amigos têm um papel fundamental na recuperação da pessoa que sofre de distúrbios alimentares, pois comer serve muitas vezes de pretexto para reunir pessoas em ocasiões de negócios e de lazer, e o indivíduo com distúrbios alimentares precisa de apoio para (re)aprender a lidar com esse lado social da comida.

Ao longo da recuperação, a pessoa muda a forma como vê não só a comida mas o momento da refeição e do convívio como um todo.

É também possível que o profissional de saúde recomende a toma de medicação, habitualmente soporíferos e anti-depressivos.

Isto porque pode acontecer que o tratamento imediato passe por fazer a pessoa conseguir dormir descansada, já que as perturbações do sono são frequentes em indivíduos com distúrbios alimentares.

Uma vez conseguido um sono reestruturante, os anti-depressivos farão depois o seu efeito e começarão a ajudar a pessoa a iniciar um dia-a-dia mais “normal” onde, claro, o pequeno-almoço precisa de ter o seu lugar como refeição fundamental e equilibrada, e ponto de partida para todas as outras refeições que se seguem.

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Etiquetas: distúrbio alimentar, distúrbios alimentares, ganhar peso, obesidade

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