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Cirrose Hepática

A cirrose hepática pode ser definida, como o próprio nome indica, é uma doença hepática que se caracteriza pela formação de nódulos de hepatócitos envoltos numa fibrose difusa.

Esses nódulos podem ser formados pela penetração de septos fibrosos em lóbulos que já aí existiam ou então pela atividade regenerativa dos hepatócitos, que ocorre após a necrose.

Quanto à fibrose, corresponde à cicatrização que ocorre após a destruição de hepatócitos e após o colapso da trama de reticulina que sustenta os hepatócitos.

É também importante que se saiba que esta doença é difusa, e atinge todo o fígado.

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Etiologia da Cirrose Hepática

A cirrose hepática pode ser originada por diversas causas, sendo que, do ponto de vista etiológico, essas podem ter as seguintes classificações:

  • Cirrose Alcoólica – é a mais frequente, sendo causada pelo alcoolismo crónico;
  • Cirrose Pós-necrótica (ou pós-hepática) – tem como principais causadores os vírus B e C;
  • Cirrose Biliar (primária e secundária) – a primária é de origem auto-imune, ao passo que a secundária ocorre por obstrução das vias biliares (cálculos, tumores, estenoses);
  • Cirrose Pigmentar – ocorre devido ao acúmulo de hemossiderina (um pigmento derivado do metabolismo da hemoglobina);
  • Doença de Wilson – ocorre devido ao acúmulo de cobre;
  • Deficiência da alfa-1-anti-tripsina – ocorre por defeito genético;
  • Cirrose Criptogenica – dá-se este nome às cirroses para as quais não se consegue determinar a sua causa.

A cirrose hepática pode também ser classificada em função da sua morfologia, ou seja, em função do tamanho dos nódulos.

Assim, quando os nódulos medem até 3mm de diâmetro, a cirrose hepática é chamada de cirrose micronodular e quando medem mais de 3mm dá-se o nome de cirrose macronodular.

É possível reverter os efeitos da hepatite alcoólica, mas quando o paciente não abandona a bebida, esta progride para o estado de cirrose (Autor: LeonardoG)

É possível reverter os efeitos da hepatite alcoólica, mas quando o paciente não abandona a bebida, esta progride para o estado de cirrose (Autor: LeonardoG)

Quando existem no fígado nódulos de vários tamanhos, uns com mais de 3mm e outros com menos, diz-se que a cirrose é mista.

No entanto, esta classificação morfológica não costuma ser usada clínicamente. (305)

Alcoolismo Crónico e a Cirrose Hepática

O alcoolismo crónico costuma causa lesões no fígado que se vão tornando cada vez mais graves, começando pela esteatose, passando a hepatite alcoólica e finalmente tornando-se em cirrose hepática.

A esteatose é uma lesão que pode ser revertida e que afeta cerca de noventa em cada cem alcoólatras crónicos. Macroscopicamente caracteriza-se pelo aumento do fígado que fica mais pesado, amarelo e mole. Microscopicamente a esteatose caracteriza-se pelo aparecimento de vacúolos que passam a ocupar quase todo o citoplasma do hepatócito, fazendo com que o seu núcleo se desloque para a periferia.

Normalmente, a esteatose não causa sintomas clínicos.

Quanto à hepatite alcoólica, caracteriza-se microscopicamente pela esteatose, pelo infiltrado inflamatório polimorfonuclear focal, pela balonização dos hepatócitos, e por corpúsculos de Mallory, ou corpúsculos hialinos alcoólicos.

Macroscopicamente é notado o aumento de tamanho do fígado e pela mudança de cor para vermelho-amarelada ou cor de tijolo.

Assim como acontece com a esteatose, também é possível reverter os efeitos da hepatite alcoólica, mas quando o paciente não abandona a bebida, esta progride para o estado de cirrose.

No caso da cirrose hepática alcoólica, essa reversão já não é possível, sendo que, macroscopicamente é possível notar-se o aumento de volume do fígado, tornando-se este também mais duro, por causa da fibrose, acabando por conter uma grande quantidade de nódulos pequenos e amarelos, que se encontram envoltos por delicadas traves fibrosas.

À medida que o tempo vai passando, o tamanho do fígado diminui, e os nódulos vão-se tornando maiores, assumindo uma cor avermelhada e uma fibrose mais grosseira.

Microscopicamente observa-se uma subversão da arquitetura lobular hepática através da formação de septos de tecido conjuntivo que envolvem os nódulos de hepatócitos. Nestes casos, as lesões histológicas da hepatite alcoólica podem estar ocorrer juntamente com a cirrose.

Cirrose Pós-necrótica

Ao fim de alguns anos de evolução, as hepatites B e C crónicas podem começar a causar a cirrose hepática, que geralmente é macronodular ou mista.

Macroscopicamente o fígado assume uma cor vermelha e torna-se mais firme do que o normal, observando-se nódulos grandes.

Microscopicamente é possível observar os sinais de atividade da hepatite causadora, entre os quais a necrose peri-portal, o infiltrado inflamatório e a fibrose. Não raro, é também possível reconhecer os hepatócitos que possuem um aspecto de vidro despolido e que são normalmente associados à infecção pelo vírus B.

Cirrose Biliar

Normalmente, a cirrose biliares apresenta nódulos muito pequenos. O fígado passa a assumir uma cor intensamente verde por causa da acentuada estase biliar.Microscopicamente é visível o aparecimento de granulomas e agregados linfóides, além da redução ou desaparecimento dos ductos biliares e também uma acentuada colestase.No caso das cirroses biliares secundárias, além da colestase, ocorre também a proliferação de ductos biliares.

Hemocromatose

A hemocromatose caracteriza-se pelo grande acúmulo de hemossiderina no fígado, com principal incidência nos hepatócitos. Além disso, o fígado normalmente apresenta pequenos nódulos e uma cor acastanhada.

Doença de Wilson

Neste caso, o fígado apresenta nódulos de tamanho superior, dando-se um acúmulo de cobre nos hepatócitos. É também possível notar-se a vacuolização dos núcleos dos hepatócitos, além da esteatose e por vezes até a presença de corpúsculos de Mallory.

Deficiência da Alfa-1-anti-tripsina

Nestes casos, o fígado pode apresentar nódulos de diversos tamanhos, sendo que, microscopicamente, é possível perceber-se o aparecimento de granulos ou glóbulos PAS positivos.

Esta cirrose costuma dar-se em indivíduos que, por causa de um defeito congénito, começam a produzir uma alfa-1-anti-tripsina anormal, que passa a ser segregada no interior dos hepatócitos.

Algumas Consequências da Cirrose Hepática

  • Dificuldade na passagem do sangue através dos lóbulos hepáticos
  • Aparecimento de varizes devido à hipertensão venosa, transmitida aos vasos tributários e à circulação colateral
  • Esplenomegalia motivada pelo acúmulo de sangue no baço
  • Ascite
  • Insuficiência hepática
  • Infecções e sangramentos digestivos
  • Trombose tumoral venosa
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