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O Que é a Dor?

O mecanismo que faz com que sintamos a dor ainda não é bem compreendido.

Há poucas décadas atrás, os cientistas presumiam que a dor fosse uma forma de sentido, como a visão, a audição, ou o tato, que são percebidos por meio de terminações nervosas especiais na pele e transmitidos ao cérebro através de fibras nervosas específicas.

Mas este conceito simplista da dor mostrou ser incorreto. Por quê?

Um dos fatores que levou à nova compreensão foi o estudo realizado numa jovem que não tinha sensação de dor. Depois da sua morte, em 1955, um exame do seu cérebro e sistema nervoso levou a um conceito inteiramente novo a respeito da causa da aflição.

Os médicos procuraram os terminais nervosos, pois se ela não os tivesse, isto responderia pela insensibilidade da jovem. Mas eles estavam presentes e aparentemente perfeitos.

A seguir, os médicos examinaram as fibras nervosas que deviam conetar os terminais nervosos com o cérebro, pensando que, pelo menos ali, haveria um defeito. Mas não havia. Segundo o que era possível observar, as fibras estavam perfeitas, exceto aquelas degeneradas por lesões.

Para finalizar, fizeram-se exames no cérebro dela e, novamente, nenhum defeito foi encontrado. Assim, mediante o conhecimento e teorias então prevalecentes, essa jovem devia ter sentido dor normalmente, mas nem cócegas ela sentia. No entanto, ela era sensível à pressão sobre a pele, e podia distinguir entre o toque da cabeça e o da ponta de um alfinete, ainda que a picada do alfinete não lhe doesse.

Este sentimeno é hoje identificada como interação extremamente complexa da mente e do corpo. De fato, sentir dor é tão fortemente psicológico que a mente pode, às vezes, negar sua existência e, às vezes, produzi-la e sustentá-la por muito tempo depois de um ferimento agudo ter passado.

O humor, a concentração, a personalidade, a susceptibilidade da pessoa à sugestão e outros fatores são importantes em como ela responde à aflição. Até mesmo o medo e a ansiedade causam uma resposta exagerada. Portanto, pode-se aprender a sentir dor. De modo que a questão não é se a dor é real ou não. Obviamente que é real. A questão é quais são os fatores decisivos que a influenciam.

Assim como as emoções e o estado de ânimo podem intensificar a dor, podem também suprimi-la ou entorpecê-la. Por exemplo, certo neurocirurgião disse que, quando jovem, ele estava certa vez tão apaixonado por uma moça que, sentado com ela em cima de um muro gélido, não sentiu nenhuma sensação forte de frio nem dor nas nádegas. Ele diz que estava quase com geladura, mas que ficaram sentados ali por uns 45 minutos, e ele não sentiu nada.

Há uma diversidade de exemplos. Jogadores de futebol participando ardorosamente no jogo, ou soldados no calor da batalha, talvez se firam gravemente mas sintam pouca ou nenhuma dor no momento. O famoso explorador africano David Livingstone contou que foi atacado por um leão que o sacudia assim como o gato faz com um rato.

No entanto, aquele impacto causou uma espécie de delírio em que não havia sequer nenhuma sensação de dor.

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Como Se Atenuam as Sensações

Numa tentativa de explicar alguns dos aspectos mistificantes da dor, em 1965 um professor de psicologia, Ronald Melzack, e um de anatomia, Patrick Wall, elaboraram a muito aclamada teoria do controlo-do-portão da dor. A edição de 1990 do livro do Dr. Bonica mencionou que essa teoria figurava entre os mais importantes desenvolvimentos no campo da pesquisa e da terapia da dor.

dor fosse uma forma de sentido, como a visão, a audição, ou o tato (Autor: Harrygouvas)" alt="Há poucas décadas atrás, os cientistas presumiam que a dor fosse uma forma de sentido, como a visão, a audição, ou o tato (Autor: Harrygouvas)" src="https://www.emforma.net/imagens/imagem-de-dor-300x175.jpg" width="300" height="175" srcset="https://www.emforma.net/imagens/imagem-de-dor-300x175.jpg 300w, https://www.emforma.net/imagens/imagem-de-dor-768x448.jpg 768w, https://www.emforma.net/imagens/imagem-de-dor.jpg 800w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /> Há poucas décadas atrás, os cientistas presumiam que a dor fosse uma forma de sentido, como a visão, a audição, ou o tato (Autor: Harrygouvas)

Segundo essa teoria, a abertura e o fecho de um hipotético portão na medula espinhal permite, ou então bloqueia, a passagem de sinais de dor para o cérebro. Se outras sensações que não as de dor se aglomerarem no ‘portão’, os sinais de dor chegarão enfraquecidos ao cérebro. Por exemplo, esfregar ou agitar um dedo com queimadura leve pode atenuar a dor, visto que outros sinais, além dos de dor, são assim enviados à medula espinhal para interferir na passagem dos sinais de dor.

Além disso, a descoberta, em 1975, de que o corpo produz suas próprias substâncias semelhantes à morfina, chamadas de endorfinas, também ajudou na busca de compreensão dos aspectos mistificantes da dor. Por exemplo, alguns talvez tenham pouca ou nenhuma sensação de dor porque produzem endorfinas em excesso.

É possível que as endorfinas também expliquem o mistério de por que a dor é amenizada, ou até mesmo eliminada, pela acupuntura, um procedimento médico que introduz no corpo agulhas da espessura de um fio de cabelo. Segundo informações de testemunhas oculares, têm-se feito cirurgias a coração aberto com o paciente acordado, consciente e descontraído, pela utilização da acupuntura como único anestésico! Mas, por que nessa situação não se sente dor?

Alguns acreditam que as agulhas ativam a produção de endorfinas que temporariamente eliminam a dor. Outra possibilidade é que a acupuntura suprime a dor porque as agulhas estimulam as fibras nervosas que enviam sinais diferentes dos de dor. Estes sinais bloqueiam os ‘portões’ na medula espinhal, impedindo que os sinais de dor forcem a passagem para chegar ao cérebro, onde a dor é sentida.

A teoria do controlo-do-portão, e o fato de que o corpo produz seus próprios anestésicos, talvez expliquem também por que o humor, os pensamentos e as emoções da pessoa influem na intensidade da dor que ela sente. Assim, o impacto de um repentino ataque de leão pode ter ativado a produção de endorfinas no Sr. Livingstone, e talvez inundado a sua medula espinhal com sinais diferentes dos de dor. Deste modo, a sua percepção da dor foi  mitigada.

Mas, como já dito, a disposição mental e as emoções da pessoa podem ter um efeito contrário. Uma excessiva carga do stress quotidiano da típica vida moderna pode aumentar a sensação de dor da pessoa por produzir ansiedade, tensão e contrações musculares. Felizmente, porém, as vítimas da dor têm razão para otimismo. Isto porque muitos pacientes se beneficiam agora de métodos de tratamento aprimorados.

Atualmente, o melhor conhecimento sobre este sentimento e o conceito de que a dor pode em certos casos ser uma doença em si mesma revolucionou o tratamento da dor. Mesmo assim, a dor continua a ser algo ainda não totalmente esclarecido.

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Etiquetas: coração, dor abdominal, dor ciatica, dor estomago, dor lombar, dor neuropatica, dor pelvica, dor precordial

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