Treino de Resistência

Para a realização de certas atividades que requerem um longo tempo de execução, como é o caso das corridas de fundo no Atletismo, a principal qualidade física a ser desenvolvida pelo atleta é a sua resistência aeróbia. No entanto, na metodologia de treino do atleta fundista, a resistência aeróbia não deveria ser desenvolvida apenas através da realização de percursos longos (até 2 horas) e de moderada intensidade (FC entre 130-150 bpm). Em vez disso, os métodos de treino devem ser variados, sendo necessário que se observe a aplicação pedagógica de cada um deles, de acordo com o estágio de desenvolvimento individual do atleta e, ainda, de acordo com os objetivos da periodização dos ciclos de trabalho.

Assim sendo, para melhorar o resultado competitivo do atleta fundista, não é apenas a capacidade cardiorrespiratória que deve ser desenvolvida e aprimorada, mas também a força muscular que se constituirá num fator que, se devidamente explorado, permitirá ao atleta um nível de resistência superior ao dos seus adversários.

Para o desenvolvimento da força muscular específica do atleta fundista, são necessários meios e métodos de treino que visem o desenvolvimento da resistência de força. Mas, o que é a resistência de força?

A resistência de força é a capacidade do atleta em executar um número elevadíssimo de contrações musculares num ritmo constante e durante um longo período, resistindo á fadiga. Assim o treino da resistência de força provocará nos músculos diversas adaptações funcionais e morfológicas necessárias para o trabalho de longa duração, como é o caso do aumento das reservas energéticas, do aumento do conteúdo das mitocôndrias e da maior eficiência das células na extração do oxigénio do sangue. Além disso, também ocorrem adaptações relativas aos mecanismos neuromusculares, representado pela melhora da coordenação intra e intermuscular.

Assim, com o desenvolvimento da resistência de força, espera-se que um número elevado de contrações musculares ocorram durante um longo tempo e em maior velocidade, sendo a energia necessária para esse trabalho, proporcionada pelo metabolismo oxidativo. Deste modo, as adaptações provenientes do treino da resistência de força acabam por proporcionar ao atleta uma maior velocidade no ritmo de deslocamento e a consequente melhora do resultado competitivo.

Portanto, o atleta conseguirá desenvolver uma maior velocidade de deslocamento, às custas da sua capacidade metabólica oxidativa, sem recorrer aos processos anaeróbios que, em pouco tempo, irão esgotar as suas reservas de energia e acumular as toxinas geradas pelo metabolismo glicolítico.

Meios de preparação

Os meios de preparação para o desenvolvimento da resistência de força são os seguintes: o treino em circuito, os exercícios com pesos, seja com halteres ou com aparelhos e a preparação especial de força. A escolha do meio de preparação e de quando aplicá-lo deve ficar ao critério do treinador, que precisará obedecer às leis biológicas e pedagógicas que regulam o treino Desportivo.

O exemplo seguinte ilustra como pode ser realizado o treino da resistência de força durante um mesociclo na fase de preparação básica, devendo este ser executado duas vezes por semana:

- Na primeira semana, pode ser realizado um treino em circuito, realizando entre 8 a 12 estações, intercalando 30segundos de execução com 30segundos de pausa, em duas passagens.

- Na segunda semana, o treino deverá ser semelhante ao da primeira semana, mas em três passagens.

- Na terceira semana, novo treino semelhante, mas realizado em quatro passagens.

- Na quarta semana, o treino continua igual , mas realiza-se apenas em uma passagem.

Estes exercícios deverão obedecer às características da preparação geral , ou seja multilaterais e alternado-se os grupos musculares, pois esse forma de treino constitui a base para o aprimoramento da resistência de força.

Assim, na preparação do atleta fundista, não deve ser deixado de lado o treino da resistência de força, pois esta constitui-se num componente fundamental para a melhora do resultado competitivo.

Entretanto, seria bom lembrarmo-nos que os meios de desenvolvimento da resistência de força exigem um aumento considerável no volume de treino, com um número elevado de séries e repetições. No entanto, esse aumento não deve ser brusco, mas sim gradual e constante pois, caso contrário, os resultados poderão ser contrários ao esperado.

Na verdade, com o treino da resistência de força, os ganhos em hipertrofia são quase nulos, mas o que se pretende é o desenvolvimento do potencial motor do atleta, que resultará na melhora da coordenação e ampliação da velocidade de deslocamento.

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