Efeitos Tardios da Actividade Física na Pressão Arterial

“Se trabalhar faz bem, então, que trabalhem os doentes”. Este dito faz parte do anedotário português, assente no pressuposto que a inatividade física tem consequências salutares. Nada mais falso, ainda que o excesso também seja prejudicial. “No meio é que está a virtude” parece ser a expressão mais válida.

Nos nossos dias, a hipertensão arterial é um dos principais factores favoráveis à ocorrência de problemas cardiovasculares na saúde pública, precipitando a população mundial para um aumento substancial da mortalidade, atalhando a esperança média de vida. Segundo a OMS, é uma das dez maiores causas de mortalidade no mundo.

Tal facto deveu-se a uma sedentarização do homem e à sua fixação em agregados populacionais urbanos. Decorrente desta situação, houve um aumento substancial de problemas respiratórios e cardiovasculares. Essa melhoria económica e financeira da mudança do campo para a cidade contribuiu para um aumento da longevidade humana. A medicina acompanhou estas mudanças, proporcionando, para além dos conselhos e conclusões médicas, farmacologicamente, o aumento e melhoria da esperança média de vida.

Contribuiu, pois, para um progresso geral da qualidade de vida humana, mas o homem atual sabe que deverá ser mais do que sujeito: deve ser o agente da sua própria saúde.

Na origem da hipertensão podem estar variáveis como o sedentarismo, factores genéticos, níveis elevados de sal na alimentação, a obesidade, o tabagismo, o stress, …

Quais são os malefícios da hipertensão? Danos nas artérias por excesso de pressão e sobrecarga de trabalho do coração.

Basicamente, o exercício físico melhora o estado de saúde de todos nós. Após a prática de exercício físico, a vasodilatação pode diminuir o retorno venoso, reduzindo o débito cardíaco, libertando substâncias vasodilatadoras na circulação. O exercício físico aumenta o fluxo sanguíneo não só para o músculo cardíaco, mas também para os músculos esqueléticos, reduz a frequência cardíaca e a pressão arterial de repouso, bem como propicia o máximo consumo de oxigénio.

O corpo humano, durante o período de exercício físico, sofre adaptações cardiovasculares e respiratórias para responder às demandas dos músculos em atividade. Quando esse comportamento é constante, ocorrem transformações nesses músculos, possibilitando a melhoria do desempenho do organismo. Há a entrada em ação de processos fisiológicos e metabólicos, melhorando a distribuição de oxigénio, otimizando a sua distribuição pelos tecidos.

Assim, indivíduos hipertensos ligeiros e moderados, após atividade física adequada, como atividades aeróbicas: caminhadas em passo rápido, corridas leves, ciclismo e natação podem ter resultados que, se associados a transformações no estilo de vida, auxiliam o tratamento farmacológico, diminuindo ou evitando mesmo o seu recurso.

Para além disso, a prática regular de exercício físico aumenta a massa muscular e a força física. Ao nível do comportamento, diminui o stress e a ansiedade.

Recomenda-se que os indivíduos hipertensos sigam programas de exercício físico regular, depois de submetidos a uma avaliação clínica prévia.

É que, para além do sofrimento pessoal e dos entes queridos, da mortalidade, há um elevado custo social associado à incapacidade física e à reforma antecipada.

Conclui-se sobremaneira que o exercício físico deve ser indicado para prevenir, controlar e tratar a hipertensão arterial.

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