Compreendendo o Sistema Nervoso
- Publicado:2009-10-14 Editado:2009-10-14
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Antes de começar, é preciso mencionar que treinar até à falha não é única ferramenta útil na musculação. Para o propósito deste artigo vamos assumir que “falha” é o ponto de falha no movimento concêntrico – a inabilidade para completar uma contracção concêntrica.
As fibras dos músculos têm dois tipos de recrutamentos:
- Fibras de resistência são recrutadas mais rapidamente que outras fibras
- Unidades estimulas que recrutam as mesmas fibras mas em intervalos de tempo diferente, permitindo a grupo trabalhar e a outro descansar ao mesmo tempo
As fibras do tipo 2b são as fibras com mais resistência, logo quando estas falharem vai ser impossível levantar mais peso, e são estas fibras do tipo 2b que têm o maior potencial para crescimento. Há forte evidência que treinar até à falha é obviamente um requerimento para conseguir crescimento neste tipo de fibras.
Tempo sobre tensão é uma ferramenta já bastante conhecida para encorajar crescimento. Em certa medida, quanto mais tempo o músculo estiver sobre tensão maior será o microtrauma, causando um estímulo maior e mais propenso para o crescimento. Isto é a forte evidência que treinar até à falha (ou quase) é necessário para estimular crescimento mantendo o músculo sobre tensão durante mais tempo.
No entanto, quando o sistema nervoso entra na equação, tanto o central como o periférico, treinar até à falha não é o melhor estímulo para o crescimento. Assim que as fibras musculares ficam exaustas e a falha é eminente o sistema nervoso recruta todas as unidades motoras e liberta-as o mais possível, mesmo assim, quando a máxima contracção continua a frequência desta libertação abranda.
Uma frase de um artigo relacionado com o treino com pesos: “Nós sabemos que cada neurónio tem que libertar o neurotransmissor acetilcolina (ACh) sempre que liberta uma unidade motora. Nós também sabemos que os neurónios transmitem impulsos através do transporte de Sódio / Potássio . O sinal é transportado através da membrana da célula muscular da mesma forma. Todo o processo baseia-se muito no óptimo balanço dos níveis de cálcio e enzimas que estão envolvidas na síntese e decomposição de acetilcolina e numerosas outras substâncias. A frequência da libertação para as unidades motoras decresce, então, assim que estes subestratos são exaustos – mesmo quando a falha se aproxima nós continuamos a puxar o nosso corpo e mente para continuar a puxar pelo peso.

O que é que isto quer dizer ?
Como o sistema nervoso controla os músculos através de impulsos eléctricos, os músculos recentemente treinados requerem um maior sinal para completar uma contracção da mesma magnitude . Treinando intuitivamente ainda se pode causar microtrauma suficiente para encorajar crescimento, sem andar a drenar o sistema nervoso continuamente . Puxar até ao antes da falha cria mesmo assim ganhos significativos.
E então o Sistema Nervoso Central ?
Se ainda não souberes aqui fica uma pequena introdução: O Sistema Nervoso Central funciona enviando impulsos eléctricos através dos nervos para para s unidade motoras destinadas. Este sinal não pode ser sustentado por periodos longos de tempo à maior velocidade. Através de sinais contínuos, o sódio, potássio e outros substratos concentrados diminuem até ao ponto onde as contracções tornam-se lentas e fracas. Eventualmente um estado de inabilidade é atingido para se prevenir de qualquer estímulo adicional. Isto acontece quando perdemos toda a força e só nos apetece largar o peso imediatamente.
Ainda não muito entendido, a emoção e a moral podem influenciar o sistema nervoso central. O “Picanso” para o próximo grande levantamente ou para mais uma rep adicional são ambos exemplos como o sistema nervoso central pode ser forçado para nosso proveito. Ambos este dois exemplos demonstram o controlo do sistema nervoso que nos pode tornar mais fortes, no entanto não é aconselhado estar sempre no “Picanso”, pois a exaustão vai chegar mais cedo ou mais tarde. Isto quer dizer que treinar de uma forma disciplinada e com ética é o melhor método, sem preguiça e sem muitas exaltações.
Então o que é que isto quer dizer ?
Treinar até à falha todos as vezes que se treinar vai levar as células nervosas a um estado de inibição constante levando a uma sobrecarga no sistema nervoso central devido ao aumento substancial de actividade eléctrica . Isto levará certamente ao overtraining, que quer dizer : umas férias do treino. Isto também quer dizer que nem sempre a falha muscular é a que está a ocorrer mas sim a falha no sistema nervoso central, o que quer dizer que os músculos não estão a trabalhar de qualquer forma e o estímulo não está a ser aproveitado.
Misturando falha muscular e cansaço no sistema nervoso e o que se obtém ? Execução pobre e consequentemente treino fraco e mais propenso a lesões.
Então, em conclusão a isto tudo, falha muscular, sendo ela concêntrica ou isométrica, não é necessária para providenciar o estímulo de crescimento. O que é necessário é uma boa execução dos exercícios, treino continuo e disciplinado, boa alimentação e padrões sólidos de descanso. As fibras precisam de treino suficiente para causar microtrauma e logo a libertação de hormonas regenerativas.
Este artigo demonstrou que o sistema nervoso central é uma peça vital para o treino e que treinar até à falha continuamente será muito difícil de concretizar. Mais uma vez é preciso lembrar que treinar até à falha é uma ferramenta útil para provocar estímulo, mas não é apenas a única.
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