Volumes Pulmonares Estáticos e Dinâmicos

Além de ser uma parte essencial da disciplina de fisioterapia pneumo-funcional,o estudo dos Volumes Pulmonares Estáticos é também um dos temas recorrentes em concursos públicos. Dá-se o nome de volumes pulmonares estáticos aos volumes e capacidades pulmonares. Este é um assunto que merece muita atenção, pois uma grande parte das intervenções pneumo-funcionais envolve a “modificação” destes volumes pulmonares.

Aliás, o estudo da função pulmonar é já bem antigo, sendo que o primeiro trabalho notório sobre este assunto foi publicado já no século XIX, em Londres, por John Hutchinson, um cirurgião inglês, quando decorria o ano de 1846. Hutchinson criou uma campânula calibrada, a qual imergiu em água e cuja finalidade era a de coletar e medir o volume de ar exalado dos pulmões após estarem plenamente insuflados. Foi Hutchinson quem estabeleceu o termo capacidade vital (CV) para se referir à capacidade para viver. Este nome era bem apropriado pois essa medida era inversamente relacionada à mortalidade.

Nessa altura, eram bastante frequentes os casos de tuberculose um pouco por toda a Europa, e Hutchinson reconheceu que as complicações fibróticas da doença acabavam por reduzir a CV e levavam à morte precoce, tendo chegado a conclusões semelhantes em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva e também em mineradores. Podemos assim dizer que, a determinação dos volumes pulmonares é uma das etapas mais importantes da avaliação funcional pulmonar. Se considerarmos que o comportamento mecânico do pulmão é baseado em suas propriedades elásticas e em seu volume, a mensuração dos volumes pulmonares acaba por nos oferecer informações que permitem ir além do próprio diagnóstico, possibilitando a abordagem da história natural de uma determinada patologia respiratória, a classificação da gravidade dessa patologia e ainda a resposta ao tratamento instituído.

Os volumes e capacidades pulmonares estáticos são constituídos por quatro volumes e quatro capacidades:

  • O Volume corrente
  • O Volume de Reserva Inspiratório
  • O Volume de Reserva Expiratório
  • O Volume Residual
  • Capacidade Vital
  • Capacidade Residual Funcional
  • Capacidade Inspiratória
  • Capacidade Pulmonar Total

Vamos conhecê-los melhor.

Volume Corrente (VC)

É o volume de ar que se movimenta durante um ciclo respiratório normal em repouso. Por outras palavras, o VC é a quantidade de ar que entra e sai dos seus pulmões enquanto você lê este texto

Volume de Reserva Inspiratório (VRI)

Muitas vezes, quando necessário, ou se tal nos for solicitado, nós conseguimos inspirar um volume muitas vezes maior, através de uma inspiração forçada e profunda. Portanto, o VRI é exatamente o volume que é mobilizado quando alguém enche o peito de ar antes de dar um mergulho demorado na piscina. Normalmente, corresponde a entre 45 a 50% da Capacidade Pulmonar Total (CPT).

Volume de Reserva Expiratório (VRE)

Como o próprio nome indica, o VRE é medido no mesmo contexto do VRI, sendo que, em vez de medir a quantidade de ar que pode ser inspirado voluntariamente a partir do Volume Corrente Corresponde, é a quantidade de ar que pode ser expirado, representando entre 15 a 20% da CPT.

Volume Residual (VR)

Este é o volume de ar que permanece nos pulmões após uma expiração máxima, representando entre 25 a 30 % da CPT.

Capaciade Vital (CV)

A CV representa a quantidade de ar que passa pela nossa boca entre uma inspiração máxima e uma expiração completa, compreendendo três dos volumes primários: VC, VRI, VRE. A CV corresponde a entre 70 a 75% da CPT.

Capacidade Residual Funcional (CRF)

A CRF representa o volume de ar que permanece nos pulmões ao final de uma expiração normal.

Capacidade Inspiratória (CI)

A CI representa o volume máximo que é inspirado de forma voluntária a partir do final de uma expiração espontânea, correspondendo a entre 50 a 55% da CPT e a entre 60 a 70% da CV.

Capacidade Pulmonar Total (CPT)

A CPT representa o volume de gás existente nos pulmões após uma inspiração máxima. Corresponde à soma dos VC, VRI, VRE e VR.

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