O Que é o Botulismo

O botulismo é uma doença que resulta de uma intoxicação alimentar potencialmente fatal provocada pela bactéria Clostridium botulinum, a qual encontramos geralmente no solo e em alimentos mal conservados. A toxina produzida ataca o sistema nervoso podendo provocar a morte, caso a doença não seja diagnosticada e tratada de forma atempada.

A bactéria Clostridium botulinum, a bactéria na origem do botulismo
Em termos científicos, os Clostridium botulinum são grandes bacilos Gram-positivos que produzem esporos e toxinas e estão relacionados com o género bacillus. Encontramo-los geralmente na água. Medem cerca de 8 micrómetros por 3 e possuem flagelos.
É esta a bactéria que dá origem à neurotoxina que vai provocar o botulismo e atacar o sistema nervoso. Actua de forma muito rápida e súbita – geralmente, de 18 a 36 horas depois da introdução da toxina no nosso organismo – e algumas vezes dramática.

A toxina introduz-se no corpo do doente através do seu sistema digestivo. Os primeiros sintomas desta doença consistem em vómitos, diarreias, vertigens e debilidade física, aos quais se seguem muito rapidamente problemas de visão (visão turva, visão dupla, sensibilidade à luz), flacidez das pálpebras, alterações da voz (rouquidão, afonia, entre outros), distúrbios da deglutição, problemas musculares que atinge a face, o pescoço e os membros dificultando os movimentos do paciente, agitação piscomotora, entre outros sintomas.

As pessoas podem igualmente sentir dificuldades respiratórias e cardiovasculares que podem nomeadamente levar a uma paragem respiratória e consequentemente à morte. É desta forma que o corpo humano reage à destruição das proteínas que encontramos na exocitose do neurotransmissor acetilcolina no sistema nervoso motor. A neurotoxina vai paralisar os músculos, podendo inclusive provocar a morte ao paralisar o diafragma, impedindo assim a respiração.

Forma de contágio

O ser humano entra geralmente em contacto com esta toxina através do solo e de alimentos mal conservados. É habitualmente mais frequente em conservas caseiras, mas a verdade é que também já aconteceram contaminações através de conversas industriais, embora estejamos a falar de uma ocorrência mais rara – cerca de 10% dos surtos.

O desenvolvimento desta bactéria não se limita a um determinado tipo de alimentos. Poderá, de facto, desenvolver-se em conservas de legumes, como em conservas de carne ou de peixe. A infecção pode ser epidemiologicamente classificada em 6 tipos em função da forma como acontece. Existem os tipos seguintes:

  • Tipo A: Humano; Conservas domésticas de carne e de legumes.
  • Tipo B: Humano; Conservas de carne de porco.
  • Tipo C e D: Animais.
  • Tipo E: Humanos; Conservas de peixes.
  • Tipo F: Desconhecido.

A toxina desenvolve-se em conservas, isto é, em alimentos hermeticamente fechados, porque não precisa de oxigénio para sobreviver. Sabemos que esta toxina é destruída pelo calor, sendo que não surge no caso de conservas aquecidas.

Apenas se desenvolve em ambientes com um pH superior a 4,6. A falta de acidez nas conservas é uma das causas que favorece o contágio através desta toxina. É de salientar o facto de existirem dois outros tipos de botulismo: o botulismo de feridas e o botulismo infantil. No caso do botulismo de feridas, a bactéria introduz-se no sistema do paciente através de uma ferida. Os sintomas são os mesmos referidos mais acima. O desenvolvimento do botulismo infantil prende-se com a ingestão pelos bebés de mel, o qual contém esporos que germinam e colonizam os intestinos, ainda demasiado imaturos, dos bebés. A toxina produzida pelos esporos é de seguida absorvida pelo organismo, dando assim origem à doença.

Como diagnosticar a doença

Existem dois diagnósticos: um diagnóstico físico, baseado evidentemente na observação dos sintomas anteriormente mencionados, os quais se caracterizam por uma paralisia progressiva dos músculos, atingindo primeiro os músculos da cara e alastrando-se aos outros músculos, provocando dificuldades motoras e respiratórias. Os sintomas desta doença, semelhantes aos de outras doenças nervosas e de outras intoxicações, podem estar na origem de um certo atraso na detecção do botulismo. Para que não haja nenhuma dúvida, resta o diagnóstico laboratorial, o qual consiste na procura da toxina no sangue ou nas fezes do doente. Quando existe a suspeita de a contaminação ter acontecido através da ingestão de um determinado alimento, este pode ser analisado. Tendo em conta a letalidade da doença, é importante que o diagnóstico aconteça o mais rapidamente possível.

Como tratar o botulismo

O tratamento do botulismo passa pela administração imediata de um antídoto. Caso o paciente apresente dificuldades em respirar, será também necessário ligá-lo a uma máquina até que o seu estado de saúde melhore. Para impedir que a doença continue a provocar danos, será igualmente necessário proceder à eliminação completa dos alimentos contaminados pela toxina e ainda contidos nos intestinos do doente através de enemas, ou seja, através da introdução de um líquido no ânus para efectuar uma lavagem.

O tratamento ideal implica a caracterização da toxina especificamente em causa para que a antitoxina utilizada seja a mais correcta. Caso não seja possível determinar qual a toxina em causa, será utilizado um soro polivalente. O antídoto administrado age apenas sobre a toxina activa, sendo que não tem influência sobre as toxinas que já afectaram os nervos. Um diagnóstico rápido é importantíssimo para travar e reduzir o risco de sequelas nervosas. Os sintomas podem permanecer durante algum tempo.

O botulismo é uma doença provocada pela ingestão da bactéria Clostridium botulinum, a qual vai progressivamente provocar danos nos nervos e nos músculos do paciente. Uma das formas de prevenir o botulismo é cozinhar os alimentos a 80ºC durante 30 minutos, e isto porque a toxina responsável não resiste ao calor. É necessário ter um cuidado especial com a forma como se prepara os alimentos das conservas. Os conhecimentos à volta do botulismo permitiram uma redução da taxa de mortalidade por botulismo, sendo que esta é apenas de 10% hoje em dia contra 70% no início do século XX.

Leia também:

  1. Tétano
  2. 10 Doenças Causadas por Bactérias

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