Efeitos do Exercício no Sistema Imunitário

Existem diversos estudos sobre como o exercício físico afeta a competência do sistema imunológico, incluindo o tráfico de células induzido pelas hormona e a influência direta das hormonas do stress, das prostaglandinas, das citocinas e de outros fatores. No entanto, estes efeitos variam mediante o tempo e a intensidade do exercício físico. Alguns estudos epidemiológicos têm demonstrado que existe uma relação positiva entre um estilo de vida ativo, prática de exercícios regulares e aumento da resistência às infecções do trato respiratório superior. Por outro lado, os treinos de alto volume e intensidade estão diretamente relacionados com uma maior susceptibilidade às infecções do trato respiratório superior. Assim, podemos dizer que a intensidade, a duração e a frequência com que se realizam os exercícios acabam por exercer um papel chave na determinação das respostas imunológicas a um esforço, podendo aumentar ou reduzir essa função.

O risco de se contrair uma infecção do trato respiratório superior pode se duplicar nos casos das pessoas sedentárias que se realizam exercícios físicos extremos, devido a alterações negativas no sistema imunológico que são provocadas tanto pela libertação das hormonas do stress, como pela linfocitopenia pós-exercício e pela supressão das células NK “Natural Killer”. Assim, chegamos à conclusão que o exercício tanto pode promover uma melhoria das respostas imunológicas como pode prejudicar estas respostas. É por isso que a ponte que relaciona o exercício físico à qualidade de vida tem vindo a adquirir um novo formato, pois o exercício tanto pode ser um fator positivo como negativo para a saúde dependendo de como o exercício é aplicado.

Quando estão sob estimulação máxima, as hormonas de stress, adrenalina e noradrenalina os valores basais podem aumentar em até 10 vezes, por até uma hora depois da atividade física. Além disso, o cortisol e as catecolaminas não são apenas metabólitos ativos, mas também permitem a uma redistribuição dos leucócitos, fornecendo assim um efeito imunossupressor.

Além das hormonas do stress, também a glutamina é necessária para a proliferação e síntese do nucleotídeo nos linfócitos. Após quatro horas de exercício intenso, a concentração plasmática de glutamina declina agudamente e o seu nível durante o repouso pode estar baixo em atletas com overtraining, o que acaba por comprometer a função imunológica do organismo.

Na verdade, a atividade física pode alterar a função do sistema imunológico, sendo que essa alteração varia de acordo com a idade do indivíduo, a carga, a duração e a intensidade do exercício físico. Geralmente, o exercício físico agudo provoca um aumento da quantidade de neutrófilos e de células NK na circulação. Já o exercício moderado costuma influenciar na função dos neutrófilos, por modificar a quimiotaxia, a desgranulação e a atividade oxidativa dessas células. Por outro lado, o exercício intenso e de longa duração ajuda a diminuir a capacidade oxidativa dos neutrófilos.

O Exercício Físico e as Imunoglobulinas

Após a prática de exercícios de alta e média intensidade costuma ocorrer um aumento das imunoglobulinas séricas.

A produção de imunoglobulinas in vitro apresenta-se suprimida após o exercício intenso em indivíduos que não costumam treinar, enquanto que, em atletas bem condicionados, até mesmo o exercício de alta intensidade não provoca qualquer alteração. Este mesmo padrão de resposta ocorreu também no estudo da resposta à vacinação, em que os indivíduos não condicionados vacinados e submetidos a exercício intenso não produzem anticorpos, enquanto que os atletas imunizados com toxóide tetânico, após uma maratona, logo apresentam uma produção normal do anticorpo após 14 dias.

Já nos estudos que relacionam IgA secretória e exercício, é demonstrado um comportamento diferente em relação às outras imunoglobulinas, sendo possível visualizar-se uma diminuição de até 50% dos valores basais em atletas de elite após a ralização de um esforço intenso, estando e queda relacionada ao achado de uma maior incidência de infecções de vias aéreas superiores nos atletas que se submetem a grandes esforços.

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