Toc – Transtorno Obssessivo Compulsivo
- Publicado:2012-01-18 Editado:2012-01-18
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Por pura malícia, a sigla TOC, sem mais, faz lembrar o som do pica-pau quando bate na madeira. Apenas que, quando esta ave o faz, fá-lo de forma continuada, repetida, extremamente monocórdica, em busca de insetos que se encontram na casca das árvores. Vou, na analogia possível, tentar transpor esta realidade da natureza animal para os meandros da natureza humana.
TOC representa as seguintes palavras em abreviatura: Transtorno Obsessivo Compulsivo.
Transtorno remete-nos para uma perturbação ou desconcerto da normal racionalidade que deve estar subjacente na nossa vida. De facto, este problema surge, geralmente, na sequência de um qualquer trauma, lesão ou infeção cerebral.
- Se se trata de um desarranjo biológico que afeta o cérebro, o que lhe acontece ao certo, já que dispomos de algumas formas mensuráveis de estudar essa grande incógnita que é “a torre de comando” do nosso corpo?
- Acontece que certas zonas cerebrais evidenciam um funcionamento excessivo, acima da média. Isto é, tornam-se hiperativas.
- Se o cérebro funcionar muito, isso não é positivo?
- Certos artistas e pessoas muito precoces têm este distúrbio de hiperatividade cerebral causada pela doença. Contudo, por esse mesmo excesso de funcionamento necessitam de:
tratamento farmacológico;
de terapia cognitivo-comportamental.
- Em que consiste a medicação?
- Os medicamentos inibem a recaptação da serotonina, produzida e utilizada em excesso por estes pacientes.
- Que sintomas preconizam este distúrbio?
- Este paciente supervaloriza os seus próprios pensamentos e ações, remetendo-os para uma escala gigantesca, muito grandiosa. Os seus “pensamentos mágicos” levam-no a acreditar mesmo que é plenamente capaz de salvar as vidas de todo o planeta com um simples gesto que leve a cabo como, por exemplo, o acender ou o apagar de luzes.
- Este paciente desenvolve rituais de repetição (lembram-se do pica-pau?) para, essencialmente (no seu cérebro):
que o equilíbrio e a vida no planeta sejam mantidas;
que o faça manter a sua própria integridade (preocupações extremas com limpeza, perfeccionismo).
- É possível que algum fator de natureza psicológica interfira, inicialmente, no aparecimento desta pertubação?
- Sim. É, até, normal que o distúrbio surja na sequência de alguma situação de stresse psicológico. Para além disso, fatores de ordem psicológica podem influir no início, manutenção e agravamento da patologia.
- O paciente desta doença tem, então, pensamentos megalómanos?
- O TOC tem o poder de modificar a forma como o seu paciente perceciona e avalia a realidade, levando-o a sobrevalorizar os seus pensamentos e ações, chegando a pensar, inclusivamente, que pode alterar o curso dos acontecimentos a escalas grandiosas.
- Quem é atingido por este “delírio”, sofre-o quotidianamente?
- Os “pensamentos mágicos” acompanham o paciente por largos períodos de tempo, podendo até acompanhá-lo durante toda a vida.
- Pode ser considerado “louco” o sujeito desta patologia?
- Os pacientes desta patologia são sujeitos a tratamento psicológico. Contudo, obedecem a ideias que os guiam e geram comportamentos extremamente poderosos neles, por mais que tenham a noção exata da realidade. Reagem como se não tivessem outra opção:
como se fossem habitados por um ser supremo e muito poderoso que os controlasse e guiasse;
praticam os rituais repetitivos, quase de forma automática, como se não tivessem vontade própria, como sem controlo sobre o próprio corpo, como se estivessem em transe ou drogados.
- Esta patologia tem cura ou alguma cirurgia pode reverter o problema?
- Até ao momento, esta patologia ainda não tem cura, podem diminuir-se os sintomas, através de tratamentos e mesmo de cirurgias, todavia não a conseguirão debelar totalmente.
Conclusão:
Todos nós, em algum momento da nossa vida, por variados motivos, sofremos de receios e de preocupações constantes. Até certo ponto, são garantes da nossa segurança regular: fechar bem a porta; fechar bem a torneira; apagar todas as luzes; lavar bem as mãos; verificar o saldo bancário; …
Todavia, quando esses comportamentos se tornarem excessivos, inúmeras vezes repetidos num curto espaço de tempo, com sentimentos de grande angústia e aflição, aí, tornam-se numa obsessão ou compulsão, comprometendo, inclusivamente, o desempenho da atividade laboral…
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