Síndrome Metabólica

O número de pessoas que têm síndrome metabólica tem vindo a aumentar em toda a Europa, tendo como principal causa a obesidade, que está diretamente relacionada com a perda de estilos de vida saudáveis. No caso de Portugal, o número de casos tem vindo a aumentar a um ritmo acima do da média europeia.

A elevada prevalência da síndrome metabólica na população portuguesa está diretamente relacionada com a hipertensão arterial, a diabetes e a obesidade. Por isso, este problema tem vindo a justificar a preocupação e o empenho de todos os profissionais de saúde e também da sociedade em geral no combate a estas doenças modernas.

Por isso, qualquer estratégia que vise a intervenção deverá ter uma componente preventiva e também uma componente de detecção e tratamento dos indivíduos em risco.

O Que é a Síndrome Metabólica?

Não é fácil definir a síndrome metabólica, visto que esta condição está associada intimamente com os critérios de diagnóstico. Se forma generalisada, podemos dizer que a síndrome metabólica é um conjunto de alterações metabólicas que estão relacionadas com a obesidade central, com a hipertensão arterial e com o colesterol.

Geralmente, não existem sintomas associados à maioria das alterações metabólicas. Esta síndrome existe quando essas alterações afectam um indivíduo, aumentando o risco de este desenvolver uma patologia cardiovascular ou a diabetes.

Quem é Afetado?

O exemplo mais comum de um paciente com síndrome metabólica é um homem de meia-idade que tem o hábito de sair de casa, logo pela manhã, sem tomar um pequeno-almoço saudável, que durante o dia trabalha intensivamente em atividades stressantes e sem fazer intervalos para pequenas refeições a meio da manhã ou da tarde, comendo apenas duas ou três refeições por dia. Além disso, geralmente, almoça rapidamente numa refeição rápida, chega tarde a casa e então janta uma refeição pesada. Por fim, ele senta-se no sofá a ver televisão e adormece rapidamente. A situação é ainda mais grave quando este passa a maior parte do dia sentado sem fazer exercício físico.

A síndrome metabólica é muito comum nas pessoas com apneia do sono e nos fumadores. Além disso, pode também ser provocada por certos medicamentos, tais como os anti-depressivos.

Quais as Causas?

Visto que a síndrome metabólica é uma condição que envolve diversas alterações metabólicas, as suas causas estão relacionadas com essas mesmas alterações.

Normalmente, os fatores de risco mais valorizados na descrição da síndrome metabólica são o aumento da glicose no sangue (glicemia), a elevada pressão arterial, os triglicerídeos altos, o HDL (colesterol bom) baixo e a obesidade abdominal.

Na origem destes problemas estão principalmente os estilos de vida pouco saudáveis, entre os quais a ingestão excessiva de gorduras, sendo que a gordura alimentar pode ter efeitos potencialmente prejudicais no contexto da síndrome metabólica.

Como é Realizado o Diagnóstico?

Para diagnosticar a síndrome metabólica é habitual realizar-se uma avaliação da pressão arterial, medir o perímetro da cintura e fazer análises sanguíneas que contemplem a medição da glicose, do HDL e dos triglicerídeos.

A medição regular da pressão arterial e o controlo do peso corporal, juntamente com a realização de análises sanguíneas periódicas poderão ser de grande ajuda para o diagnóstico precoce da síndrome metabólica.

Bastará apenas uma fita métrica para medir o perímetro da cintura, uma medição da pressão arterial e uma análise ao sangue realizada em jejum para se poderem quantificar as gorduras e o açúcar. O doente com síndrome metabólica tem geralmente uma grande quantidade de gordura abdominal, tendo uma barriga volumosa e pernas magras.

A síndrome metabólica é geralmente diagnosticada quando se observam pelo menos três dos seguintes cinco critérios:

  • Perímetro abdominal ser superior a 102 cm nos homens, e superior a 88 cm nas mulheres, ou seja, a obesidade abdominal.
  • Pressão arterial sistólica ser superior a 130 e/ou a pressão arterial diastólica ser superior a 85, ou os valores serem inferiores devido ao hábito de se tomar medicamentos para controlar a pressão arterial elevada.
  • Nível de triglicerídeos no sangue ser igual ou superior a 150 mg/dl.
  • Colesterol HDL, mais conhecido como bom colesterol, ser inferior a 40 mg/dl nos homens ou inferior a 50 mg/dl nas mulheres.
  • Concentração de glicose no sangue, em jejum, igual ou superior a 110 mg/dl, devido ao excesso de açúcar no sangue.

Como Prevenir e Tratar a Síndrome Metabólica

A primeira coisa a fazer será modificar os estilos de vida, não só por aumentar a atividade física, mas também através do controlo de peso e de uma dieta mais saudável.

O ideal é adoptar uma dieta Mediterrânica, ou seja, uma alimentação rica em ácidos gordos ómega-3, presentes no peixe, e também em alimentos ricos em fibras, tais como os cereais integrais, os legumes e os frutos.

Será também benéfico caminhar moderadamente. Talvez se possa começar com 3 km percorridos em 30 minutos. Poderá ainda passar a usar as escadas em vez de usar o elevador e, se possível, deslocar-se a pé para o trabalho.

No caso das crianças, será bom que os pais as vigiem pois os nossos hábitos alimentares começam a ser formados desde bem cedo. Assim, as futuras mães devem ter em atenção ao que comem durante a gravidez, pois a sua atitude relativamente aos alimentos vai condicionar o peso com que o bebé nasce. Além disso, o aleitamento materno parece ser essencial no primeiro meio ano de vida.

É ainda importante reduzir-se o consumo de gorduras saturadas, principalmente de enchidos e charcutarias, além das carnes gordas, dos lacticínios gordos, dos fritos e dos molhos.

Por último, será bom passar a incluir a sopa na sua alimentação pois esta é um excelente alimento para se começar a refeição, desde que a sopa não seja muito salgada.

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