O Cancro da Mama nos Homens
- Publicado:2011-09-10 Editado:2011-09-10
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Ao contrário do que habitualmente se pensa, o Cancro de Mama também pode afectar a população masculina. A incidência do Cancro de Mama é de um por cento em relação aos casos registados em mulheres. Isto significa que, para cada cem casos detectados no sexo feminino, existe um diagnosticado no sexo masculino. Precisamente devido ao facto de ser muito pouco comum nos homens, é raro que os médicos suspeitem que seja a causa de certos sintomas ou queixas. Como resultado, o carcinoma costuma chegar a um estado avançado antes de ser diagnosticado correctamente, o que dificulta o tratamento e pode fazer diferença na luta pela sobrevivência ou por uma esperança de vida mais prolongada.
O Cancro da Mama pode surgir em homens de qualquer idade, embora tenha sido mais detectado em indivíduos entre os 60 e os 70 anos. De facto, tanto homens como mulheres possuem tecido mamário ainda que a quantidade no homem seja muito menor. Entre os vários géneros de Cancro de Mama, o mais comum no homem é o Carcinoma Ductal Invasivo. Os índices de cura para o diagnóstico precoce são de cerca de oitenta a noventa por cento, no entanto, se o cancro é descoberto tardiamente, este índice cai brutalmente atingindo dez a vinte por cento dos casos.
Geralmente, o tumor é percebido pelo aparecimento de nódulos, possíveis erupções na pele, alterações da textura e forma do peito, descarga do mamilo (sangue ou conteúdo incolor), inchaço dos gânglios linfáticos na região axilar assim como sinais de retracção do mamilo e ulcerações. O principal diagnóstico diferencial do Cancro da mama no homem é a ginecomastia (aumento anormal da mama) causada por uma quantidade maior de estrogénio (hormona feminina) ou uma quantidade menor de androgénio (hormona masculina) no sangue. Esta condição implica não só o aumento de tamanho como o aumento de sensibilidade da mama. No entanto, visto que está associada a diversas causas, deverá averiguar com o seu médico o que poderá causar a ginecomastia.
As causas do Cancro de Mama no homem ainda não são claramente perceptíveis porém, existem certos factores que contribuem para o risco de vir a contrair a doença como a idade avançada, a exposição a radiações, a obesidade, a componente hereditária e o Síndrome de Kleinfelter (condição hereditária rara em que há uma diminuição dos testículos, pouca pilosidade, um aumento anormal da mama entre outros factores).
Um estudo italiano, apresentado em 2008 na Conferência da Sociedade Europeia de Oncologia, na Suíça, descobriu que setenta e três por cento dos casos de Cancro da Mama registados no homem eram “hormono-dependentes”, ou seja que o seu crescimento era influenciado por duas hormonas femininas: o estrogénio (resultante de danos no fígado) e a progesterona. Os especialistas acreditam que, ao ser tratados precocemente, o prognóstico é até mais favorável do que nas mulheres. Daí a necessidade de apostar num diagnóstico precoce.
O diagnóstico tardio implica tratamentos mais agressivos e consequentemente piores resultados. De acordo com um estudo publicado na revista Breast Cancer Research, os homens sujeitos a tratamentos ao cancro da mama correm o risco de desenvolver outro tipo de doença oncológica exigindo uma atenção redobrada.
Os tratamentos são semelhantes aos aplicados nas mulheres, à excepção da cirurgia conservadora da mama, pouco usual devido às características da mama masculina. Assim sendo, a mastectomia radical modificada é o procedimento padrão nestes casos, associada a certos fármacos que atrasam a eventual propagação do carcinoma para outras partes do corpo. Uma outra possibilidade é a extirpação cirúrgica dos testículos que é feita com o intuito de eliminar as hormonas que estimulam o desenvolvimento do cancro e, assim, ajudar a travá-lo. Alternativamente, dependendo do quadro clínico e do estadio em que se encontra o carcinoma, é possível fazer quimioterapia.
Não é demais relembrar que as formas mais eficazes de detecção precoce, à semelhança do que é indicado para a mulher, o auto-exame e cuidado da mama, bem como o exame clínico de palpação e observação a ser realizado pelo médico de família.
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