António Egas Moniz – Prémio Nobel da Medicina

António Egas Moniz foi o primeiro português a receber um prémio Nobel, o que veio a acontecer em Outubro de 1949, na quinta vez em que foi proposto para ser galardoado com esta recompensa máxima para com as pessoas que se destacam pelas suas especiais contribuições para com a sociedade.

Quando nasceu, em 1874, na vila de Avanca, no Concelho de Estarreja, Distrito de Aveiro, recebeu o nome de António Caetano de Abreu Freire, sendo que só posteriormente e por pressão do seu tio e padrinho, o padre Caetano de Pina Resende Abreu Sá Freire, veio a receber também os apelidos “Egas Moniz”.

No entender do seu tio, estes apelidos não podiam deixar de ser utilizados no seio da sua família aristocrática e directamente descendente de Egas Moniz, o Aio, importante figura da história inicial de Portugal, por ter tido a seu cargo a educação de Afonso Henriques.

Egas Moniz, prémio Nobel, estudou Medicina em Coimbra e foi um reconhecido neurologista, professor e investigador, mas a sua influência na sociedade não se ficou apenas por esta área do saber, tendo-se destacado também como político e escritor.

A ele se ficam a dever muitos dos grandes avanços ocorridos nas três primeiras décadas do século XIX, essencialmente no que se refere ao conhecimento do cérebro e suas doenças.

Em 1927, foi Egas Moniz quem desenvolveu o chamado “método da angiografia cerebral”. Esta técnica permitiu, pela primeira vez, observar as diversas artérias do cérebro, o que veio a revelar-se fundamental para uma melhor compreensão dos processos cerebrais e para o consequente diagnóstico das enfermidades que lhe pudessem estar associadas.

Posteriormente, em 1935 desenvolveu, com sucesso, a operação ao cérebro designada por leucotomia, mas mais vulgarmente chamada e reconhecida por “lobotomia”, tendo sido este o trabalho que lhe mereceu o Prémio Nobel.

A lobotomia é uma forma de manipulação cirúrgica do cérebro – a primeira que se conheceu – que implica a remoção de partes do cérebro. Sabe-se hoje, no entanto, que tem efeitos secundários gravíssimos, como sérias alterações na personalidade dos pacientes, chegando mesmo a ocorrer, em elevado número de casos, a morte daqueles que são submetidos a este tipo de intervenção.

Por estes motivos, aliados ao desenvolvimento de outro tipo de terapêuticas não invasivas, como os medicamentos, está actualmente ultrapassada e é praticamente aceite de forma universal, que não mais deve ser utilizada.

Na época de Egas Moniz, no entanto, não existam medicamentos que pudessem combater a esquizofrenia, a depressão ou a epilepsia, e a lobotomia foi utilizada para o tratamento destas doenças.

Muito embora Egas Moniz sempre tenha defendido que esta cirurgia apenas deveria ser aplicada a casos graves e, muito em particular, naqueles doentes que apresentassem tendências suicidas, esta prática acabou por generalizar-se, muito em particular em países como o Japão e os Estados Unidos.

Esta aplicação desmedida da lobotomia veio salientar, como não poderia deixar de ser, todos os seus aspectos negativos, o que levou, mais recentemente, ao aparecimento de um grupo de pessoas (especialmente constituído por familiares de pacientes a quem foi realizada esta cirurgia), que contesta a prática desenvolvida por Egas Moniz, exigindo mesmo que lhe fosse retirado o Prémio Nobel, reivindicação que, no entanto, não foi atendida.

Isto porque, se é certo que hoje em dia, com todos os avanços da ciência, há inúmeras alternativas a uma técnica que actualmente pode mesmo ser considerada por alguns como bárbara, não é menos verdade, que nas primeiras décadas do século XIX não só não se lhe conhecia qualquer alternativa, como, na época, a mesma representou um avanço no conhecimento do cérebro e das suas patologias. O que acabou por se revelar fundamental para a posterior evolução e progresso dos conhecimentos neste campo.

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