Alterações Fisiológicas do Envelhecimento

Como é sabido, o nosso país, assim como acontece com a grande maioria dos países ocidentais, está a passar por uma rápida transição demográfica, com um aumento progressivo e acentuado da população adulta e idosa, que é resultado da baixa natalidade e também do aumento da esperança média de vida. Estas são tendências pesadas com implicações estruturantes bastante pesadas, principalmente no que diz respeito à área da saúde.

Devido à reduzida quantidade disponível de dados sobre o estado de saúde e o grau de autonomia das pessoas idosas em Portugal, e também devido à sua diferenciação por regiões, tem-se mostrado necessário proceder a um diagnóstico de situação, a par de algumas medidas concretas que possam acelerar e melhorar as formas de intervenção necessárias. Na verdade, é bastante importante podermos conhecer e compreender melhor a realidade da saúde e do envelhecimento da população portuguesa, tanto no presente, como no futuro, a fim de se poder promover novas e melhores abordagens preventivas, curativas e de continuidade de cuidados.

De fato, os conhecimentos científicos que possuímos atualmente sobre a importância da promoção da saúde ao longo da vida, com o objetivo de prevenir ou retardar situações de doença ou dependência, sobre os fatores de risco e também sobre as doenças mais frequentes nas pessoas e ainda sobre o seu impacto nos cuidados de saúde, exigem que sejam definidas as linhas orientadoras para a manutenção de um envelhecimento saudável, para a promoção da autonomia e para a melhoria da intervenção dos prestadores de cuidados de saúde.

É verdade que o envelhecimento da população, devido ao aumento da esperança média de vida, revela-se como uma tendência positiva, que está fortemente ligada à maior eficácia das medidas preventivas na saúde, ao progresso da ciência no combate às doenças, a uma maior e melhor intervenção no meio ambiente e, principalmente, à consciencialização progressiva de que nós somos os principais agentes da nossa própria saúde. Com isso em mente, devemos considerar que as pessoas idosas são o recurso mais visível para a promoção da sua própria saúde e, por isso, torna-se necessário encorajar as pessoas idosas a participar neste processo.

Obviamente, nem todas as pessoas envelhecem da mesma maneira. Além dos fatores genéticos que determinam uma parte importante do processo, é também de salientar que não é igual envelhecer no feminino ou no masculino, sozinho ou junto da família, com filhos ou sem filhos, no meio urbano ou no meio rural, no seu país de origem ou no estrangeiro, mantendo-se ativo ou num estado de inatividade. É também um fato que, os fortes movimentos migratórios externos e internos têm feito com que, devido à emigração ou à fuga para o litoral do país por parte das gerações mais jovens, tem deixado mais envelhecido o interior.

Se é verdade que o início e as etapas do envelhecimento assentam em alterações estruturais e funcionais suficientemente significativas e facilmente identificáveis, as causas e a natureza do processo estão ainda muito longe de se poderem considerar esclarecidas.

O processo de envelhecimento inicia-se relativamente cedo, sendo que na maioria das pessoa tem início logo no final da segunda década de vida, e acaba por se manter pouco perceptível por um longo período de tempo, até que, no final da terceira década de vida, começam a surgir as primeiras alterações funcionais e também estruturais. Regra geral, pensa-se que o processo de envelhecimento ocorre a cada ano, a partir dos trinta anos de idade, com perda de aproximadamente 1% da função.

Já o ritmo de declínio das funções orgânicas costuma variar não só de órgão para órgão, mas também entre idosos com a mesma idade. É devido a esse fato que se tem muitas vezes a impressão de que o envelhecimento produz efeitos diferentes de pessoa para pessoa.

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