Fava do Campo
- Publicado:2012-02-15 Editado:2012-02-15
- Nutrição
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A fava do campo (Cenostigma macrophyllum), também conhecida como caneleiro é uma árvore da família das Leguminosae que costuma ser encontrada em Teresina, no norte de Piauí, no Brasil.
Assim como acontece com as outras plantas da família das Leguminosae, a fava do campo é rica em flavonóides e também em outros compostos biogeneticamente relacionados como é o caso dos isoflavonóides e dos rotenóides. Aliás, cerca de 95% dos isoflavonóides são encontrados em plantas desta família. Na fava do campo podem ainda encontrar-se outros tipos de metabólitos secundários, tais como os alcalóides, os esteróides e os terpenóides.
Esta planta é muito usada para fins medicinais, devido às suas propriedades laxativas, antidiarreicas, curativas (tratamento de feridas) e adstringentes das gengivas. Foi também comprovado o seu efeito em extractos butos com diversas atividades tais como hipoglicemiante, anti-úlcera e antimicrobiana.
A Universidade Federal do Piauí (zona de onde esta árvore é originária) tem vindo a efectuar diversas pesquisas através do seu Núvleo de Pesquisa em Plantas Medicinais (NPPM). São já conhecidos alguns resultados bastante satisfatórios, tendo já sido identificados e isolados esteróides livres, esteróides glicosilados, tocoferóis, triterpenos pentacíclicos e biflavonas retiradas do extracto etanólico encontrado nas folhas.
Através do extrato etanólico que se retirou das cascas do caule conseguiu-se também identificar e isolar alguns estróides livres, esterificados com ácidos graxos e glicosilados, além de ferulatos de alquila, ácidos graxos, triterpeno pentacíclico, ácido elágico e dilactona do ácido valoneico (substância fenólica que raramente ocorre nas plantas) que na fava do campo existe em quantidades significativas.
As sementes da fava do campo são ricas em ácidos graxos polinsaturados, existentes no óleo das sementes. Entre outros, as sementes são ricas em ácido linoléico, sendo o seu óleo também rico em carotenóides e tocoférois.
Tal conhecimento adquirido através da pesquisa do NPPM revela-nos que o óleo das sementes da fava do campo poderá ser muito bem aproveitado, por exemplo, na área da cosmecêutica, já que o ácido linoléico tem a capacidade de exercer uma grande influência sobre as células regenerativas e sobre os tecidos superficiais.
Por outro lado, o extracto retirado das folhas e também das cascas do caule da fava do campo tem uma grande capacidade de concentrar os radicais livres. Isso acontece devido à existência de ácido elágico, ácido valoneico e dilactona nesse mesmo extracto. Apesar de ser ainda necessário realizar-se alguns testes de avaliação toxicológica, depositam-se assim grandes esperanças neste extracto, no sentido de com este se poder desenvolver um antioxidante natural.
Deste modo, acredita-se que, num futuro próximo, a fava do campo possa ser uma importante fonte de nutrientes para a produção de novos bioprodutos.
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