As Bolachas e a Nutrição
- Publicado:2012-01-18 Editado:2012-01-18
- Nutrição
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A televisão celebrizou o “Monstro das Bolachas” num filme de animação infantil. Esta personagem comia bolachas como se tivesse “fome de três dias”, o mesmo é dizer que as devorava descontroladamente.
Quando dizemos que alguém é o monstro das Bolachas, tal passou a ser sinónimo de ter uma compulsão muito grande por esse alimento. Como sabemos, no “meio é que está a virtude” em termos alimentares:
- Comer menos que o recomendável dá origem a pessoas com índice de massa corporal abaixo do normal, isto é, demasiado magras;
- Comer mais que o recomendável pode dar azo a pessoas com índice de massa corporal acima do normal, a pessoas obesas, se não dosearem a comida com o conveniente exercício físico.
Entre um e outro extremo, optar pelo nível intermédio é o mais sensato.
De acordo com as regras alimentares da Nova Roda dos Alimentos, devemos consumir géneros dos 7 grupos que a constituem; não os podemos substituir entre si e nem devemos dar primazia a nenhum dos seus grupos sobre os outros, acima ou abaixo das porções recomendadas para cada um deles.
Neste particular, as bolachas são hidratos de carbono. Um adulto saudável deve consumir cerca de 50% de hidratos de carbono na sua dieta diária. E que cada caloria proveniente deste tipo de alimentos contém 4 calorias.
Contudo, existem hidratos de carbono bons para a saúde, de digestão lenta, tais como os produtos hortícolas ou a fruta, o feijão, o trigo, o grão, …
Ao invés, devem evitar-se os hidratos de carbono simples, pois são muito rapidamente consumidos pelo organismo. Tal facto leva a um mau desempenho sobre o nosso nível de insulina, à rara exceção da sua imediata ingestão após exercício físico intenso. Nesse grupo de hidratos de carbono simples e nefastos inclui-se a “fast food”, os refrigerantes, o pão branco e alimentos processados ou muito açucarados. Ora, as bolachas incluem-se neste último grupo de hidratos de carbono rapidamente assimilados pelos organismo…
É verdade que gostamos de ter sempre em casa um pacote de bolachas “para as visitas” acompanharem com uma boa chávena de chá. O problema está quando somos nós as visitas habituais dessas bolachas e, bolacha atrás de bolacha, juramos a nós próprios que “esta é a última” … mas não é … há sempre mais uma, que nunca vem só, e mais outra p´ra acompanhar… Conhece esta lengalenga?
Pois é, e como são essas bolachas? Qual é a sua composição? Qual é o seu valor nutricional? São tão inofensivas como parecem? Ou compensa “o bem que sabe com o mal que faz?”
No rótulo do seu pacote de bolachas, tostas, cereais de pequeno-almoço, refeições congeladas, refeições prontas, leia os seus ingredientes constituintes:
- Será um produto a evitar se, logo nos primeiros ingredientes, houver a palavra “açúcar” ou “frutose” ou “xarope”, o que vai tudo dar à mesma: é um produto com demasiados hidratos de carbono rápidos. No rótulo poderá aparecer “hidratos de carbono, dos quais açúcares”. O valor aconselhado deve ser inferior, no mínimo, a 50% (vejam-se, por exemplo, as compotas);
- No rótulo aparece indicado o teor energético dos alimentos. É considerado um produto de baixo valor energético, se tiver menos de 400 quilocalorias por cada 100 gramas;
- As proteínas e fibras devem ser superiores a 6 gramas por cada 100 gramas;
- As gorduras ou lípidos devem apresentar-se num valor inferior a 6 gramas por cada 100 gramas (a gordura saturada deve ser a menor possível, preferencialmente menos de 10% da gordura total da dieta diária);
Após estas indicações, logo percebemos que o melhor é excluir da nossa dieta quotidiana as “inocentes” bolachinhas.
De qualquer das formas, temos de, ao invés de nos intervalos das refeições optar por comer este tipo de hidratos de carbono de consumo rápido, vazios de valor nutricional … optar por consumir hidratos de carbono de “digestão lenta” como a fruta, combinando-a com iogurte e/ou com pão ou tostas de centeio.
Claro que, nas refeições principais, ao almoço e ao jantar, se deve, por exemplo, enveredar por proteínas presentes no peixe, na carne ou ovos, e por leguminosas e por sopa ….
Nenhuma dieta diária funciona se houver um controlo demasiado restrito e objetivo das porções a ingerir, contudo pode ser uma boa base para entender os mecanismos da alimentação saudável. É que, na alimentação, como em todas as áreas da nossa vida, tudo se quer “na dose certa, no momento certo”. Carências ou excessos são a evitar.
Podemos, no grupo das leguminosas, para variar, consumir diversos produtos do mesmo grupo, que contempla, por exemplo: as ervilhas; o grão-de-bico; a soja; o feijão; as lentilhas; …
A Nova Roda Alimentar é composta por 7 grupos que devem ser respeitados e que devem fazer parte da nossa alimentação quotidiana:
- Cereais Derivados e Tubérculos – 4 a 11 porções – (28%)- Hortícolas – 3 a 5 porções – (23%)- Fruta – 3 a 5 porções – (20%)- Lacticínios e derivados – 2 a 3 porções – (18%)- Carne, peixe e ovos – 1,5 a 4,5 porções – (5%)- Leguminosas – 1 a 2 porções – (4%)- Gorduras – 1 a 3 porções – (2%)
- Água – 1,5l a 3l
O ideal e equilibrado é variar a alimentação quotidiana, dentro da dose diária recomendada, em observância das leis da alimentação postuladas na Nova Roda dos Alimentos.
É indispensável pautar a nossa alimentação por um regime completo, variado e equilibrado.
Se a Natureza é tão pródiga em nos contemplar com uma panóplia tão grande e voluptuosa de alimentos de todas as cores, formas e feitios, se dispomos de tanta possibilidade de escolha, dentro de cada um dos 7 grupos da Nova Roda Alimentar, por que havemos de restringir as nossas escolhas a alimentos de fraco valor nutricional e que só esporadicamente deveríamos consumir?
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