Amino-ácidos de Cadeia Ramificada
- Publicado:2011-11-13 Editado:2011-11-13
- Nutrição
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Há já bastante tempo que os aminoácidos de cadeia ramificada são utilizados na nutrição clínica no tratamento de uma série de patologias. Atualmente, muitos têm vindo a discutir os possíveis efeitos desses aminoácidos na atividade física, e também os seus diferentes mecanismos de ação fisiológica.
Os aminoácidos de cadeia ramificada, em inglês Branched Chain Amino Acids (BCAAs), compreendem 3 aminoácidos essenciais que são a leucina, a isoleucina e a valina, e que podem ser encontrados principalmente em fontes protéicas de origem animal. Mesmo não sendo considerados como a principal fonte de energia para o processo de contração muscular, sabe-se que estes aminoácidos atuam como uma importante fonte de energia muscular durante o stress metabólico. Como tem sido mostrado em diversos estudos, nestas situações a administração de BCAAs, principalmente de leucina, poderia estimular a síntese das proteínas e diminuir o catabolismo protéico muscular. Além disso, os BCAAs ajudam também a retardar a ocorrência de fadiga central, a aumentar o rendimento desportivo, a poupar os stocks de glicogénio muscular e a aumentar os níveis plasmáticos de glutamina após a prática de exercício intenso.
Os BCAAs e a Síntese Protéica Muscular
Conforme é demontrado por alguns estudos sobre a suplementação de aminoácidos de cadeia ramificada, essa estratégia nutricional pode resultar na promoção do anabolismo protéico muscular e na diminuição do risco de lesão muscular pós-exercício. Assim, no processo de síntese protéica muscular, entre os BCAAs podemos destacar a leucina, que promove a estimulação da fosforilação de proteínas envolvidas no processo de iniciação da tradução do RNA mensageiro, contribuindo assim para a estimulação da síntese protéica.
Importa no entanto ressaltar que a administração oral de leucina produz um aumento ligeiro e transitório na concentração de insulina plasmática, estimulando também a síntese protéica.
Os BCAAs e a Fadiga Central
A fadiga pode ser definida como o conjunto das manifestações resultantes do trabalho ou exercício prolongado, cuja consequência poderá ser a redução ou prejuízo na capacidade funcional de manter ou continuar o rendimento esperado. No caso da fadiga central, esta é muitas vezes provocada pela hipoglicemia e a alteração plasmática na concentração de BCAAs e triptofano.
O triptofano é um aminoácido essencial, não só para os humanos mas também para os animais. Uma das suas funções é a de precursor do neurotransmissor serotonina, refletindo-se assim no sono, comportamento, fadiga e ingestão alimentar, entre outros. No exercício físico de longa duração, o organismo passa a utilizar os lipídeos como fonte de energia, ajudando assim a que o triptofano possa circular em grande quantidade na forma livre através da corrente sanguínea. Deste modo, quando existe uma grande quantidade circulante deste aminoácido, provavelmente começa a ocorrer uma maior síntese do neurotransmissor serotonina, que é um dos grandes responsáveis pela ocorrência da fadiga central.
Alguns estudiosos têm sugerido a suplementação de BCAAs como hipótese de competir com o triptofano livre na corrente sanguínea, de forma a diminuir a síntese de serotonina e consequentemente prevenindo a ocorrência de fadiga central.
Outras Evidências
Não existem evidencias de que a suplementação com BCAAs consiga exercer um efeito significativo sobre o rendimento físico e o metabolismo de carboidratos, sendo os resultados dos estudos bastante conflitantes. Em contraste, verificou-se que a suplementação com BCAAs promove um aumento significativo dos níveis plasmáticos de glutamina durante o período de recuperação (pós-exercício), pois servem de substrato para a síntese deste aminoácido. Assim, parece não haver necessidade de se ingerir BCAAs, antes e durante o exercício, como estratégia para melhorar o desempenho desportivo.
No entanto, a ingestão de BCAAs pode trazer outros tipos de benefícios, tais como a redução do catabolismo protéico durante o esforço e também durante a recuperação.
Apesar de o uso de BCAAs na forma de suplemento alimentar ser considerado ético, este pode provocar alguns efeitos adversos, tais como desconforto gastrointestinal e como diarreia, além de comprometer a absorção de outros aminoácidos.
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