A Nova Roda dos Alimentos

Crescemos a ouvir falar da Roda dos alimentos. De facto, ela representa, de forma sintética e esquemática, aquilo que deve ser a nossa alimentação diária. Esta representação gráfica tem a finalidade de orientar as nossas escolhas e combinações alimentares que fazem parte integrante de uma dieta alimentar saudável. Todos os alimentos aí presentes representam possibilidades e escolhas que devemos incluir num dia. Há uns anos atrás era impossível obter determinados alimentos fora da época normal de produção. Atualmente, contudo, todas as combinações podem ser feitas. Basta ter poder de compra para adquirir morangos em qualquer fase do ano. Esses produtos alimentares, mais ou menos frescos, podem vir das mais variadas proveniências geográficas. Contudo, o aconselhável é consumir os produtos alimentares da época, isto é, resultantes da produção numa determinada estação.

Consideramos, atualmente, uma nova Roda dos alimentos, por contraposição àquela utilizada desde 1977, na Campanha de Educação Alimentar sob o lema: “Saber comer é saber viver”. Esteve na base desta alteração, em 2003, a evolução de conhecimentos científicos, a alteração de hábitos alimentares dos portugueses, estabelecendo porções diárias equivalentes, subdividindo alguns dos grupos definidos a priori, e a inclusão da água no centro desta representação gráfica circular, em forma de prato.

Esta representação gráfica, ao contrário da representação em pirâmide, permite não estratificar os alimentos, pois eles são todos necessários e complementares, embora em percentagens diferentes, para uma alimentação saudável.

Há a salientar que a Roda alimentar foi elaborada no final da década de 70 por portugueses, para a realidade alimentar da época e adotada no estrangeiro como modelo. A sua imagem tem o objetivo de simplificar informação nutricional complexa em conceitos de fácil utilização pelo cidadão comum. É, no fundo, um material educativo, entretanto, vulgarizado, de projeção internacional.

O projeto da nova Roda dos alimentos foi desenvolvido pelo programa Saúde XXI, por um protocolo entre a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto e o Instituto do Consumidor. O “slogan” desta nova Roda dos alimentos é: “Coma bem, viva melhor!”. No fundo, uma atualização dos conhecimentos em prol da saúde.

Como é óbvio, cada país poderá (e deverá) adaptar a Roda alimentar, almejando a promoção de valores culturais de produção interna. Da tradição portuguesa, a título de exemplo, há a destacar o pão, o azeite, as leguminosas, os produtos hortícolas e o pescado, naturalmente, em que Portugal é rico, em variedade e quantidade.

Importante foi a representação da água no centro desta representação gráfica, atendendo a que todos os alimentos são constituídos por ela, indispensável à vida. Até porque mais de 60% do nosso organismo é composto por água. É recomendável o seu consumo diário entre 1,5 a 3 litros.

Dentro da divisão de cada grupo encontram-se alimentos nutricionalmente idênticos entre si. Dessa forma, poderemos evitar a monotonia alimentar, garantindo a variedade, substituindo uns alimentos por outros com nutrientes semelhantes. A roda alimentar estabelece porções diárias recomendadas e equivalentes entre os produtos alimentares.

A água, sublinhe-se, está no centro desta nova Roda dos alimentos, sendo que existem 7 grupos alimentares que devem constar, nas percentagens abaixo referidas, na nossa alimentação.

São eles:

  • cereais e derivados, tubérculos, 28% (4 a 11 porções);
  • Hortícolas, 23% (3 a 5 porções);
  • Fruta, 20% (3 a 5 porções);
  • Laticínios, 18% (2 a 3 porções);
  • Carne, pescado e ovos, 5% (1,5 a 4,5 porções);
  • Leguminosas, 4% (1 a 2 porções);
  • Gorduras e óleos, 2% (1 a 3 porções).

O número de porções recomendadas está dependente das necessidades energéticas individuais, sendo que as crianças até 3 anos devem consumir o limite inferior; homens ativos e rapazes adolescentes os limites máximos. Todos os outros devem, sensatamente, guiar-se pelos valores intermédios.

Cada grupo representa funções e características nutricionais específicas. Todos os grupos devem constar na alimentação quotidiana. Não os podemos substituir entre si, isto é, não podemos subestimar a importância de qualquer um dos grupos, mas podemos optar pela substituição interna dentro de cada um deles e valorizar, ao invés, a variedade aí existente.

Isto não é difícil: a natureza é pródiga em nos brindar, em cada estação, com uma ampla gama de produtos nutricionais de variados grupos. E, graças à tecnologia e à “aldeia global” onde vivemos, há meios de refrigeração eficientes e de importação de produtos alimentares durante o ano inteiro.

É um guia alimentar que pressupõe três regras fundamentais para a manutenção de uma alimentação saudável. A alimentação deverá ser:

  • Completa: É fundamental que se ingiram alimentos de todos os grupos e beba água diariamente;
  • Variada: É fundamental variar, dentro de cada grupo, os alimentos que se consomem ao longo do dia, nas diferentes épocas do ano;
  • Equilibrada: É fundamental respeitar as porções alimentares aconselhadas constantes na Roda a consumir ao longo de um dia: consumir maior quantidade dos grupos de maior dimensão e menos dos de menor dimensão.

Que diferenças assinaláveis há entre a antiga e a nova Roda dos alimentos?

  • Na antiga Roda dos alimentos, apenas eram contemplados os seguintes 5 grupos de alimentos:

I – Leite e derivados;

II – Carne, peixe e ovos;

III – Óleos e gorduras;

IV – Cereais e leguminosas;

V – Hortaliças, legumes e frutos.

  • Os grupos alimentares, na representação gráfica, não contemplavam a porção diária recomendada em termos percentuais.
  • Não era contemplada a água, presente em todos os alimentos, que faz parte integrante de toda a alimentação saudável.

Há a considerar que a alimentação inadequada constitui o principal risco da ocorrência de doenças crónicas, tais como o cancro, doenças cardiovasculares, diabetes ou osteoporose.

Paralelamente às orientações alimentares fornecidas pela Roda alimentar, no folheto informativo que a acompanha, são considerados os cuidados a ter na ingestão de bebidas, sal e açúcar. Como recomendação adicional, surge, também, a importância da atividade física moderada e a importância da manutenção de um peso saudável.

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