A Dieta do Paleolítico
- Publicado:2011-10-21 Editado:2011-10-21
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A diabetes é uma das doenças que afetam uma grande percentagem da população portuguesa. No entanto, apesar de se ouvir falar em muitas dietas que podem ajudar a combater esse problema, foi descoberta uma dieta que pode realmente ter resultados excelentes: A dieta do Paleolítico.
A Dieta do Paleolítico
Segundo um grupo de cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, quem imita as refeições dos antigos colectores e caçadores do tempo do Paleolítico – que era composta basicamente de frutas, vegetais, frutos secos, peixe e carnes magras – encontrou aí o melhor método para controlar a Diabetes do Tipo 2.
Apesar de esta ser uma ementa já com cerca de dois milhões de anos, conforme sugere a investigação publicada na revista “Diabetologia”, se nós optarmos por este tipo de ementa, então será fácil ensinar o nosso organismo a conseguir tolerar melhor os açúcares num espaço de tempo de cerca de três meses.
O cientista Staffan Lindeberg, tem vindo a estudar, ao longo dos últimos anos, os efeitos que as dietas antigas têm na saúde humana. Este cientista é membro do Departamento de Medicina de Lund e foi ele quem coordenou também a investigação sobre a dieta do Paleolítico. Este interesse pelas dietas dos povos antigos veio através da observação de algumas populações nativas, como é o caso dos habitantes das ilhas de Kitava e Trobriand e de Papua-Nova Guiné, onde a comida de origem agrícola pura e simplesmente não existe. No entanto, segundo o que o mesmo disse, estes povos apresentam uma notável ausência de problemas cardiovasculares ou diabetes.
Chegou-se assim à conclusão que foi graças à agricultura que se tornaram acessíveis os produtos que hoje nos fornecem a maior parte das calorias que gastamos e também as que armazenamos debaixo da roupa. Falamos assim de coisas como os cereais, os lacticínios, as gorduras refinadas e os açúcares simples, sendo estes produtos energéticos que podem fazer com que o organismo dê respostas menos apropriadas face a uma eventual subida rápida do nível de glicose. O que acontece é que com o objectivo de reduzir os níveis de açúcar na corrente sanguínea, o pâncreas faz uma descarga de insulina no sangue. No entanto, quando ocorrem sucessivas operações deste género, ainda que bem-intencionadas, elas podem provocar uma montanha russa metabólica que só estará a favorecer a obesidade e a diabetes.
Por outro lado, se os níveis de açúcar no sangue baixam muito, o cérebro interpretará a informação que recebe como um pedido de socorro. É assim que passamos a ter aquela sensação de fome, dando origem a um novo ciclo. Deste modo, só é possível intervir nestes altos e baixos hormonais se nós tivermos uma resposta insulínica moderada, sendo para isso necessário que comamos menos de cada vez, mais vezes e melhor, para evitar chegar ao estágio da fome descomedida, em que apenas nos irá apetecer comer um chocolate ou uma francesinha com batatas.
Dados Técnicos do Estudo
Apesar de este estudo não ter envolvido um número representativo de pessoas, visto que ao todo foram 29 os indivíduos com histórico de intolerância à glicose ou diabetes Tipo 2 que participaram, ainda assim, este é o primeiro estudo que se debruçou sobre o efeito da dieta do paleolítico em humanos, conforme é salientado pelo Conselho Sueco de Investigação.
O estudo foi realizado durante um período de noventa dias, sendo que os médicos recomendaram uma dieta mediterrânica saudável, à base de cereais integrais, lacticínios magros, vegetais e gorduras consideradas saudáveis como o azeite a 15 pacientes, ao passo que aos restantes voluntários foi prescrita uma ementa muito parecida com a dos povos da Idade da Pedra Lascada, na qual os grãos, os lacticínios e o sal estavam proibidos. Ao fim de apenas 12 semanas, todos os pacientes que fizeram a dieta do Paleolítico apresentavam não só níveis normais de glicose, mas também uma resposta insulínica que era cerca de 19 por cento inferior à do grupo da dieta mediterrânica.
No futuro, provavelmente serão realizados outros estudos mais abrangentes neste sentido, mas as conclusões que se podem tirar até ao momento é que com uma dieta semelhante à do Paleolítico, é possível reduzir muito o nível de Diabetes tipo 2.
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