Macacos Musculados Geneticamente Levantam Questões Sobre o Doping no Desporto

Uma terapia que parece aumentar a massa muscular em macacos – reportada hoje pelo jornal Science Translational Medicine - vai com certeza levantar novas preocupações acerca do potencial de abuso desta nova forma de doping.

Já sabemos que alguns atletas usam eritropoietina para aumentar a capacidade de oxigénio que o seu sangue consegue fornecer, e esteróides clássicos para fazer aumentar a massa muscular com alguns efeitos colaterais.

A maior vantagem com o doping genético é que será mais difícil de detectar e também não terá os problemas das drogas mais antigas. Será mais complicado detectar porque é difícil testar a existência de uma proteína que o corpo já produz, especialmente quando os seus níveis naturais variam entre indivíduos – o que pode explicar porque algumas pessoas são melhor a desporto sem muito esforço.

Neste novo estudo, Janaiah Kota e alguns cientistas no Nationwide Children’s Hospital em Ohio, usaram terapia genética para adicionar copias extra de genes «follistatin» nas pernas de macacos. O gene «follistatin» foi provado que bloqueia a miostatina em ratos, uma proteína que diminui a massa muscular, resultando num rato bastante musculado e forte.

Neste estudo macacos injectados com o gene também aumentaram a sua massa muscular, e quando a equipa de Kota analisou os músculos dos macacos com um aparelho que media a força, encontraram que os músculos injectados com o gene «follistatin» estavam mais fortes que os músculos normais.

Eles esperam que este processo possa eventualmente ser usada para tratar de diversas falhas musculares associadas com desordens neuromusculares como a atrofia muscular e esclerose múltipla.

Na verdade, as companhias Amgen e Wyeth estão neste momento a experimentar com drogas chamadas “Inibidores de Miostatina” em humanos, já com alguns resultados promissores.

Esses estudos já levantaram a possibilidade dos inibidores de miostatina serem usados no desporto por atletas procurando uma vantagem competitiva. Se a terapia genética pode alcançar resultados similares em humanos, essas modificações podem ser ainda mais difíceis de detectar.

A Autoridade Mundial de Anti-Doping já proibiu o uso de doping genético no seu código mundial, e enquanto ainda não houver evidência clara de atletas a usarem o doping genético para aumentar a sua performance, há fortes suspeitas que começem em pouco tempo – a não ser que alguém encontre uma forma fidedigna de detectar o doping genético.

Fonte: http://www.newscientist.com/blogs/shortsharpscience/2009/11/muscular-monkeys-prompt-sports.html

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