Efeitos da Restrição Calórica em Humanos

A restrição calórica parece ter vindo a revelar resultados positivos no que concerne à perda de peso e no processo de envelhecimento, isto é, ao fator longevidade.

No que ao fator perda de peso diz respeito, os estudos mostram que os indivíduos revelam dificuldade em manter constante essa perda de peso. Isto porque os mecanismos compensatórios do corpo aumentam a ingestão de alimentos ou diminuem a energia gasta.

Os mecanismos são mediados por peptídeos diversos que agem na saciedade. Em dietas hipocalóricas, diminuem consideravelmente, o que provoca o aumento do apetite.

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Benefícios da Restrição Calórica

Já no que diz respeito à restrição calórica na longevidade, esta é uma forma de intervenção nutricional que parece diminuir a incidência de doenças relativas à idade. Está relacionada com o efeito do consumo calórico no envelhecimento, à redução de gordura corporal e à sinalização da insulina. Para além do mais, as espécies reativas de oxigénio produzidas durante a respiração causam lesões oxidativas ao DNA e ao RNA das células, o que promove o envelhecimento e o aumento da ocorrência de doenças. Apesar disso, é importante que não se confunda os benefícios da restrição calórica com hábitos alimentares saudáveis.

Normal é que, no processo do envelhecimento, por influência da perda gradual das funções fisiológicas, marcada por fatores genéticos e ambientais, este seja um processo complexo. Sendo a restrição calórica, por definição, uma diminuição da ingestão calórica, sem que ocorra uma desnutrição, há que discutir a forma de intervenção nutricional a fim de se estender o tempo de vida.

A restrição calórica parece ter vindo a revelar resultados positivos no que concerne à perda de peso e no processo de envelhecimento, isto é, ao fator longevidade (Autor: Jeremy Keith)

A restrição calórica parece ter vindo a revelar resultados positivos no que concerne à perda de peso e no processo de envelhecimento, isto é, ao fator longevidade (Autor: Jeremy Keith)

Este tipo de estudos é feito, essencialmente, em modelos animais. Concluiu-se que se associa a restrição calórica a uma menor incidência de doenças, associada ao avançar da idade, tais como cancro, diabetes ou doenças cardiovasculares.

Desconhece-se ainda o mecanismo biológico responsável pelo efeito da restrição calórica. Contudo, formulam-se algumas hipóteses:

  • hipótese da redução da gordura corporal e sinalização da insulina. Esta mudança endocrinometabólica poderá promover uma maior esperança de vida;
  • hipótese da redução da produção de espécie reativa de oxigénio e diminuição das lesões oxidativas. A restrição calórica pode promover a melhoria nas lesões oxidativas e melhorar o sistema de reparação do DNA celular;
  • hipótese molecular do mecanismo de atuação da restrição calórica na longevidade. Os estudos efetuados mostram que as sirtuínas, proteínas, têm um papel indispensável na determinação da longevidade.

A fim de levar a bom termo a investigação sobre se é possível aumentar a longevidade humana, cientistas têm-se debruçado sobre modelos animais. Em 1935, debruçaram-se sobre os ratos. Concluiu-se que, quando a restrição calórica era realizada depois da puberdade, esses mamíferos viam a sua vida prolongada, em cerca de 30 a 60% na expetativa de vida máxima, assim como atenuava a incidência de doenças crónicas. Na idade adulta, a redução de 44% de ingestão calórica, apenas estendeu a esperança de vida máxima em 10 a 20%.

É evidente que os efeitos benéficos da restrição calórica em humanos são mais difíceis de comprovar e duvida-se mesmo se revelaria os mesmos efeitos benéficos sobre a longevidade. Contudo, é um facto que a escassez de alimentos durante a Segunda Guerra Mundial foi associada com uma redução da mortalidade por doenças coronarianas, na Europa.

Solicitou-se o voluntarismo de participantes que, submetidos a uma dieta de restrição calórica revelaram, para além da redução da massa corporal, a redução de fatores de risco metabólicos para doenças coronarianas, melhor perfil lipídico, aumento da sensibilidade à insulina, baixos níveis de marcadores inflamatórios, entre outros efeitos benéficos.

Contudo, como menos bons foram considerados os estudos para avaliar a massa óssea, que sofreu diminuição significativa da densidade mineral… Está também associada à redução no metabolismo energético e à redução da taxa do metabolismo basal, efeitos controversos por motivos relacionados com a perda de peso e com a adaptação metabólica dos tecidos adiposos e musculares.

Mesmo que a restrição calórica aumente a esperança de vida e maximize a longevidade humana, esta adesão à restrição calórica por um tempo prolongado no tempo seria incerta, bem como pode estar relacionada com hábitos de vida mais saudáveis.

O envelhecimento é um processo natural condicionado pela inadequação dos mecanismos homeostáticos, factor que conduz a uma progressiva perda da capacidade de resposta aos vários desafios, tal como acontece no sistema imunológico. É marcado por várias mudanças fisiológicas severas. Várias estratégias podem ser utilizadas para reverter ou minimizar essas alterações, entre as quais está o estudo em curso da restrição calórica.

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